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Cargill aposta no cacau brasileiro para reduzir custos e fortalecer mercado

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Depois do salto histórico nos preços do cacau em 2024, a Cargill vem reforçando sua estratégia para aumentar a oferta do ingrediente no Brasil. A gigante americana, uma das maiores empresas agrícolas do mundo, quer garantir competitividade no setor de chocolate — um pedido constante dos clientes do foodservice: reduzir o custo do produto.

Nos últimos anos, o preço do cacau no mercado internacional passou de uma média de US$ 2 mil por tonelada para picos de US$ 12 mil em 2024, impulsionado pela quebra de safra em países africanos, que respondem por cerca de 70% da produção mundial. Mesmo com a recente queda, a tonelada ainda gira em torno de US$ 6 mil, o dobro do valor histórico.

“A África enfrenta árvores envelhecidas, doenças e problemas climáticos. Isso afeta a produtividade e deve continuar impactando a oferta global”, explica Cristina Faganello, vice-presidente sênior e diretora-geral de Food da Cargill na América do Sul.

Sem depender apenas da recuperação africana, a Cargill quer ajudar o Brasil a retomar seu protagonismo. O país já produziu mais de 400 mil toneladas por ano, mas nas últimas décadas estabilizou-se em cerca de 200 mil toneladas — insuficientes para atender à demanda doméstica.

Desde 2021, a companhia tem investido para mudar esse cenário. Em parceria com a Schmidt Agrícola, criou uma sociedade que prevê US$ 10 milhões em aportes até 2026, focada em uma fazenda de cacau irrigado em Riachão das Neves (BA), com meta de produtividade de 4,5 mil quilos por hectare.

Além do investimento industrial, a Cargill tem ampliado o suporte técnico a pequenos produtores do sul da Bahia, que cultivam cacau no sistema cabruca, tradicional entre árvores nativas. Com assistência técnica e acesso a insumos, a produtividade desses agricultores vem subindo de 200–300 quilos para até 800 quilos por hectare.

“A gente oferece treinamento e visitas técnicas para garantir que o produtor tenha suporte. Fortalecer essa base é essencial para o crescimento sustentável da cadeia do cacau”, afirma Faganello.

Hoje, a Cargill processa cacau em Ilhéus (BA) e produz chocolate em Porto Ferreira (SP), atendendo indústrias e redes de foodservice. Mesmo com presença consolidada no mercado, a empresa não pretende lançar uma marca própria para o varejo, como já faz com Liza e Pomarola em outros segmentos.

“Nosso foco é atender nossos clientes, não competir com eles”, diz Faganello.

A aposta da Cargill no cacau nacional reforça o potencial do Brasil para se consolidar como player estratégico no mercado global de chocolate, reduzindo a dependência externa e oferecendo novas oportunidades para o foodservice.


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Fonte: IstoÉDinheiro

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