A Frimesa, cooperativa paranaense de alimentos, está direcionando sua estratégia de expansão para São Paulo — movimento que revela não só ambição de crescimento, mas também uma leitura clara sobre onde está o consumo mais dinâmico do país.
Com faturamento de R$ 7 bilhões em 2025, alta de 7% sobre o ano anterior, a empresa quer aumentar sua participação no mercado paulista de 2,5% para 4,5% até 2030. O avanço no estado é peça-chave para alcançar a projeção de R$ 8 bilhões em receita já em 2026.
A escolha de São Paulo não surpreende: trata-se do maior mercado consumidor do Brasil, com forte presença de canais diversos e um público mais aberto a novos formatos de consumo — especialmente no foodservice.
Mais do que volume, proximidade com o consumidor
O movimento da Frimesa vai além de escalar produção. A estratégia indica uma mudança de posicionamento: sair de uma lógica mais industrial para se aproximar de um consumidor urbano, exigente e com menos tempo.
Esse perfil tem impulsionado a demanda por alimentos práticos, prontos ou semiprontos, além de produtos com diferenciação — seja em sabor, funcionalidade ou conveniência.
É nesse contexto que São Paulo se torna um laboratório estratégico para a cooperativa.
Proteína como eixo de crescimento
A expansão territorial vem acompanhada de uma aposta clara: proteína.
A Frimesa já opera com base em proteína animal, mas agora busca avançar em como esse consumo é entregue. A ideia é adaptar formatos ao dia a dia atual, especialmente pensando em ocasiões de consumo rápidas, comuns no ambiente urbano e no foodservice.
Esse movimento acompanha uma tendência global. O mercado de proteínas deve crescer de US$ 24,5 bilhões em 2024 para US$ 32,4 bilhões até 2029, segundo a Mordor Intelligence.
Novos formatos e disputa por espaço
Entre os focos da empresa estão:
- Produtos lácteos com maior teor proteico
- Itens funcionais (como zero lactose e zero gordura)
- Novos formatos práticos de consumo
Um dos exemplos é o desenvolvimento de uma barra de proteína à base de carne, proposta que amplia a disputa com outras fontes proteicas, como suplementos e snacks industrializados.
Capacidade produtiva e investimento
Para sustentar essa expansão, a Frimesa vem investindo pesado. Foram R$ 1,3 bilhão nos últimos três anos, com previsão de mais R$ 150 milhões em 2026 — totalizando R$ 1,45 bilhão.
Com produção anual já acima de 500 mil toneladas, a cooperativa vê em São Paulo o mercado ideal para absorver esse crescimento.
Conteúdo publicado pela Exame e adaptado para o portal Foodbiz







