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Gestão de Equipes no Foodservice: Superando o Turnover

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A gestão de equipes é um dos pilares fundamentais para o sucesso de qualquer negócio, especialmente no setor de foodservice, onde a dinâmica e os desafios são únicos. Recentemente, o setor tem enfrentado dificuldades para contratar e manter colaboradores. Dados de 2023 da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) indicam que a escassez de mão-de-obra continua sendo um grande obstáculo. Um estudo da Glassdoor aponta que, globalmente, 70% das pessoas enxergam o setor como uma oportunidade transitória.

Durante o painel “Restaurante 2030: Operação, Tecnologia e Pessoas” no iFood Move 2025, Cristina Souza, CEO da Gouvêa Foodservice, destacou que o turnover nos restaurantes é de 70%, enquanto nos fast-foods chega a 200% no cenário global. Ela explicou que o mercado de foodservice atrai principalmente pessoas em busca do primeiro emprego, que muitas vezes não têm a intenção de permanecer por longo prazo. “Trabalhamos num mercado em que o pensamento do funcionário é de curto prazo”, afirmou Cristina. “São jovens entrando em busca da primeira oportunidade de trabalho, mas sem a intenção de se estabelecer a longo prazo.”

Uma possível solução para esse cenário, segundo Cristina, é que os líderes do setor criem um ambiente de trabalho mais atrativo e satisfatório, com propostas claras de crescimento e promoções transparentes, além de oferecer flexibilidade. Ela reforçou que, de acordo com dados, 30% dos funcionários não pensam em permanecer por mais de dois anos na empresa e 60% sentem que as promoções não são claras o suficiente. Cristina deu um exemplo: “Se um colaborador ganha R$ 1.790 e, ao ser promovido a coordenador de loja, sua remuneração aumenta para R$ 1.900, mas com 50% mais de responsabilidades, será que isso faz sentido para ele? Provavelmente não. A lógica de mercado precisa ser considerada na hora de planejar as promoções”, explicou.

Outro ponto crucial abordado por Cristina foi o relacionamento entre clientes e colaboradores. Ela apontou que o comportamento inadequado dos clientes pode impactar negativamente a experiência do funcionário e, consequentemente, o ambiente de trabalho. Um exemplo citado foi a estratégia adotada por Isabela Raposeiras, proprietária do Coffee Lab. Isabela colocou a tradicional placa “Estamos X dias sem acidente” com a mensagem alterada para “Estamos a X dias sem sermos maltratados por clientes”. Cristina relatou que, recentemente, Isabela precisou zerar a contagem após episódios de agressões por parte dos clientes. “Esse tipo de pressão tem sido um grande fator de afastamento dos funcionários. E a pergunta é: por que eu continuaria a trabalhar aqui?”, questionou Cristina.

Com base em conversas com colaboradores, Cristina chegou à seguinte conclusão:

  • Se sou valorizado, fico.
  • Se sou bem treinado, fico e fico feliz.
  • Se sou bem cuidado, fico, fico feliz e equilibrado.
  • Com flexibilidade e reconhecimento, fico, fico feliz, equilibrado e me sinto parte do time.



Fonte: Mercado&Consumo

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