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Páscoa pode gerar até 40% da renda de confeiteiros

A Páscoa segue como um dos períodos mais estratégicos para o foodservice — especialmente para quem atua com confeitaria. Mais do que uma data sazonal, ela concentra uma fatia relevante do faturamento anual e exige planejamento, ajustes de portfólio e decisões rápidas diante de custos mais altos.

Segundo levantamento da Harald, mais de 65% dos confeiteiros consideram a Páscoa a principal data do ano para o negócio. Em muitos casos, o período pode representar até 40% da receita anual.

Esse peso também aparece na indústria. A própria Harald registra, nessa época, uma demanda cerca de duas vezes maior do que no Natal, reforçando o impacto cultural e comercial do chocolate no Brasil.

No dia a dia dos negócios, isso se traduz em operação intensiva. A Mica Chocolates, por exemplo, tem na Páscoa cerca de 30% do seu faturamento anual. Para dar conta do volume, a empresa reorganiza toda a produção — com fábrica operando 24 horas por dia durante o período.

Em 2025, foram utilizadas cerca de cinco toneladas de chocolate, sendo três toneladas só para ovos de Páscoa. Para 2026, a expectativa é repetir esse volume, com produção estimada de 5 mil ovos grandes, além de outros itens como latas degustação e produtos temáticos. Entre as apostas, estão collabs que aproximam o chocolate de outros universos, como o fast food.

Mesmo com o aumento no custo dos insumos, algumas marcas optam por segurar preços para estimular volume de vendas. É o caso da Mica, que decidiu absorver parte da alta para manter competitividade — estratégia que pode elevar o faturamento diário em até três vezes nas semanas mais próximas à data.

Mas essa não é a única abordagem. O aumento do preço do chocolate é hoje a principal preocupação do setor. Dados do IPCA mostram que chocolates e bombons acumulam alta de 24,77% em 12 meses até janeiro de 2026, bem acima da inflação geral.

Diante desse cenário, muitos empreendedores têm ajustado suas estratégias. A saída passa por revisão de cardápio, priorização de produtos com maior margem e, em alguns casos, reajuste de preços. A lógica é equilibrar rentabilidade sem comprometer a percepção de valor do cliente.

Outro ponto em comum entre os confeiteiros é o planejamento antecipado. Mais da metade começa a se preparar com pelo menos dois meses de antecedência, organizando desde fornecedores até testes de sabores e estratégias de divulgação. Há quem vá além e inicie esse processo ainda no fim do ano anterior, acompanhando tendências e estruturando estoques.

Além do impacto direto no faturamento, a Páscoa também funciona como porta de entrada para novos consumidores. Até 30% dos pedidos no período vêm de clientes novos — e uma parte relevante segue comprando ao longo do ano.

Por isso, a data não se resume à venda imediata. Estratégias de fidelização ganham espaço: atendimento personalizado, consistência na qualidade, presença ativa nas redes sociais e até ações simples, como brindes ou degustações, ajudam a ampliar o relacionamento.

Produtos como ovos de colher, por exemplo, seguem como destaque — apontados como carro-chefe para 37,7% dos confeiteiros. Já formatos menores, como mini ovos, aparecem como alternativa para estimular experimentação e aumentar o ticket médio.

No fim das contas, o que a Páscoa escancara é a importância de combinar operação, estratégia e experiência. Em um cenário de custos pressionados e alta demanda, quem consegue equilibrar esses três pontos tende não só a performar melhor no período, mas também a transformar a data em um motor de crescimento ao longo do ano.

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Conteúdo PEGN adaptado para o Portal Foodbiz

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