Aos 23 anos, em 2001, Filliphe Camelo testemunhava o nascimento da Mania de Churrasco Buffet Express no Shopping Ibirapuera – uma aposta audaciosa de seu avô Antônio Camelo e dos sócios Jarbas Gambogi e Alessandro Pereira para levar cortes premium de Angus a shoppings centers.
Duas décadas depois, essa semente familiar floresceria em um império de 110 restaurantes, mas o caminho foi pavimentado por crises que Filliphe e equipe transformaram em oportunidades.
Quando um ataque de ransomware colocou em risco as operações em 2017, expondo servidores físicos vulneráveis, ele não se limitou a reparar estragos.
Visionário, determinou a migração de toda a infraestrutura para a Azure, nuvem da Microsoft, centralizando dados de 111 lojas e 700 mil transações mensais em uma jogada que economizaria R$ 3,5 milhões em cinco anos e catapultaria as vendas em 20% ao ano.
Hoje, a empresa tem vários sistemas integrados que antes não se falavam. Agora, toda loja acessa o sistema na nuvem, que utiliza recursos de inteligência artificial e análise de dados da Power Platform, também da Microsoft, além da suíte de produtividade Microsoft 365. Com isso, a Mania Churrasco! passou a mapear em detalhes as unidades próprias, as franqueadas, a ponto de conhecer o comportamento do cliente e do colaborador de cada unidade. O próximo passo será prever como se dará o consumo em cada restaurante, com uma solução que está sendo desenvolvida internamente graças ao foco que passou a ser feito na gestão dos dados desde o ataque de 2017.
Crise da Covid-19
A pandemia de 2020 trouxe novo desafio: shoppings vazios, vendas zeradas e nenhuma estrutura de delivery. A empresa tinha em 2019 faturamento de R$ 283 milhões. Em 2020, o resultado caiu para R$ 160 milhões.
Filliphe orquestrou uma revolução digital, entrou nas entregas digitais, implantou totens nas lojas físicas em cerca de 60 dias a fim de reduzir gastos, elevar receitas, retomar o crescimento e as contratações.
Ao fim da crise sanitária, as inovações foram incorporadas definitivamente. Em 2023, a empresa já faturava R$ 436 milhões.
Os totens de autoatendimento passaram a ser adotados em modelo híbrido, pelo qual os atendentes humanos registram pedidos nas filas via dispositivos móveis, acelerando a produção, enquanto os clientes pagam nos terminais – reduzindo a sensação de espera de 15 para 7 minutos. Hoje, 90% das vendas físicas fluem por esse sistema, e o sistema de entregas, inexistente antes de 2020, gerou R$ 48 milhões em 2023. Paralelamente, lançou duas plataformas no iFood: uma dedicada a cortes nobres, outra especializada em burgers, consolidando a presença digital.
O diferencial é gente
Por trás das máquinas, porém, havia a preocupação em reduzir o impacto humano. Filliphe manteve a equipe na matriz intocada ao longo da pandemia, e espalha internamente o lema “Nosso CNPJ é uma soma de CPFs”, enfatizando que cada pessoa é fundamental para o negócio.
Afinal, quantas empresas colocam em seus valores lemas como “nosso diferencial é nossa gente”, “servimos com alegria e disposição”, “focamos em resultados sem atalhos”, “juntos somos mais fortes” ou “compartilhamos para multiplicar”?
Na Mania de Churrasco, 95% dos colaboradores começam nas operações – muitos em seu primeiro emprego. Programas como o TPCL (Treinamento de Churrasqueiros Líderes) e o Guardião do Cliente oferecem escadas de crescimento tangíveis. O Mania de Reconhecer converte desempenho em estrelas trocadas por prêmios – de ecobags a viagens.
O PEX (Programa de Excelência) funciona como um “campeonato” que ranqueia lojas em qualidade, atendimento e gestão, e reduziu o turnover para menos de 50% – metade da média do setor – ao transformar métricas em engajamento dos funcionários.
Colaboradores podem acessar bolsas de estudo com subsídio e programas de saúde mental, enquanto comunidades são impactadas por empregos em shoppings e rodovias de oito estados. Não à toa, a rede acumula o Selo de Excelência em Franchising (ABF) por oito anos consecutivos (2017-2024) e foi eleita “Franquia Número 1 do Setor de Alimentação” pela PEGN/ABF em 2017.
A empresa também busca impactar positivamente a sociedade para além da geração de empregos, colocando à disposição de causas sociais seu poder de venda. Há nove anos apoia a ONG Amigos do Bem, com diferentes campanhas – da venda de adesivos a destinação de parte das receitas obtidas com a venda de algum produto para doação.
Mais com menos
O crescimento sob sua gestão é um estudo em equilíbrio entre ousadia e prudência. Enquanto a rede saltou de 2 lojas em 2012 para 110 unidades em 2024 – com faturamento crescendo de R$ 16 milhões (2011) para R$ 582 milhões (2024) -, Filliphe mantém os pés no chão.
Novas tecnologias são testadas em 32 lojas próprias antes de migrarem para franquias, como o sistema de predição de vendas que cruza dados sazonais, e que permitirá otimizar a gestão de estoques, de pessoas e de impactos ambientais. Seu data lake unifica desde pedidos de SAC até dispersão de compras, permitindo integrar sistemas em horas.
O impacto reverbera além dos balanços. Nas plataformas digitais, 99% das lojas mantêm avaliações acima de 4.7 estrelas no Google, e o selo verde no Reclame Aqui atesta 100% de respostas a reclamações.







