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Da tradição ao mercado B2B: Leão amplia possibilidades para a erva-mate

Presente há séculos na cultura brasileira por meio do consumo de chimarrão, tereré e o tradicional mate tostado, a erva-mate ganha novos espaços sem perder a conexão com suas origens. Em um momento marcado pela busca por ingredientes naturais e que ofereçam bem-estar, brasilidade e formas de produção mais sustentáveis, a planta passa a despertar também o interesse da indústria para novas aplicações.
 

Parte desse interesse está relacionada às características naturais da erva-mate. A planta possui naturalmente cafeína e compostos fenólicos, como os polifenóis, associados à atividade antioxidante. Esses atributos, somados à sua versatilidade, contribuem para ampliar as possibilidades de uso do ingrediente em diferentes categorias e momentos de consumo.
 

Ao mesmo tempo, a erva-mate carrega uma história que vai além de suas propriedades. Sua presença na cultura brasileira, a origem ligada ao território e a relação com comunidades produtoras da região Sul conferem ao ingrediente uma identidade particular, que ganha relevância em um cenário de consumidores cada vez mais atentos à origem e aos significados por trás dos produtos que escolhem.
 

O movimento também acompanha o crescimento da categoria no mercado internacional. Segundo a Data Bridge Market Research, o mercado global de erva-mate foi avaliado em US$ 1,6 bilhão em 2024 e pode alcançar aproximadamente US$ 2,4 bilhões até 2032, crescimento de cerca de 50% no período.
 

“A erva-mate tem uma combinação muito especial: é um ingrediente profundamente ligado à nossa história, mas que conversa diretamente com o que o consumidor procura hoje, oferecendo naturalidade, bem-estar, origem e brasilidade. O que estamos vendo é uma ampliação das possibilidades desse ingrediente, tanto nas formas de consumo quanto nas aplicações que começam a despertar interesse de outras indústrias”, afirma Alessandro Pendiuk, Head de Supply Chain da Leão.
 

Da tradição a novas aplicações
 

Com 86,8% de participação no segmento de erva-mate tostada, a Leão passou a estruturar uma frente voltada ao fornecimento da própria matéria-prima para outras empresas. Para atender aplicações industriais, nos últimos dois anos elaborou especificações, materiais técnicos, diferentes cortes e granulometrias. Além disso, criou embalagens de 20 e 400 quilos destinadas ao atendimento desse mercado, com potencial de aplicação em bebidas, infusões, blends, alimentos e outras formulações que utilizam ingredientes de origem vegetal.
 

Nesse período, a operação já registra vendas no mercado brasileiro e potenciais clientes foram prospectados no mercado internacional. A iniciativa representa uma nova forma de enxergar um ingrediente tradicional e abre espaço para que a erva-mate amplie seu potencial de aplicação como matéria-prima em diferentes soluções industriais.
 

“Existe um grande potencial para a erva-mate além do que aquele que tradicionalmente conhecemos. Nosso papel é transformar o conhecimento construído ao longo da nossa história em soluções para diferentes indústrias, combinando qualidade, padronização e capacidade de fornecimento para os clientes. É uma forma de abrir novos mercados para um ingrediente que já faz parte da identidade brasileira”, afirma Alessandro Pendiuk, Head de Supply Chain da Leão.
 

Tradição que também preserva
 

Essa relevância também se estende à cadeia produtiva que sustenta a erva-mate. Seu cultivo possui papel histórico, social, ambiental e econômico especialmente relevante no Sul do país, onde está associado à geração de trabalho e renda, à permanência de famílias no campo e à conservação de paisagens da Mata Atlântica.
 

A erva-mate integra as práticas consideradas pelo Plano ABC+, do Ministério da Agricultura, voltado à agricultura de baixa emissão de carbono. Os sistemas produtivos associados à cultura contribuem para a manutenção da cobertura florestal e apresentam potencial de captura de carbono na biomassa e no solo.
 

Essa relação entre produção e conservação ganhou reconhecimento internacional. Em 2025, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) reconheceu o sistema tradicional agroflorestal de erva-mate sombreada na Floresta com Araucárias do Paraná como um Sistema Agrícola de Importância Global.
 

A prática remonta a conhecimentos desenvolvidos por povos indígenas e comunidades tradicionais ao longo de séculos e permite conciliar atividade econômica com a preservação da floresta de araucária e de sua biodiversidade.
 

Para a Leão, esse movimento reforça uma transformação mais ampla: a tradição deixa de ser o ponto de chegada para se tornar uma plataforma de inovação. Ao reunir história, brasilidade, atributos relacionados ao bem-estar e uma cadeia produtiva conectada à conservação ambiental, a erva-mate encontra novas oportunidades sem abrir mão de suas raízes.

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