FoodBiz

Ansiedade ligada ao peso atinge 7 em cada 10 brasileiros com obesidade

Uma pesquisa global da Ipsos revela que 7 em cada 10 brasileiros que vivem com obesidade (71%) relatam sentir ansiedade frequente em relação à própria saúde devido ao peso. O índice é significativamente superior à média dos 14 países analisados no estudo, que ficou em 42%.

A obesidade é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma doença crônica e recorrente, resultado de múltiplos fatores, como genética, aspectos neurobiológicos, comportamento alimentar, acesso à alimentação saudável, além de influências do ambiente e do mercado.

Os dados fazem parte do Global Perceptions of Obesity Study, que ouviu 14.500 adultos em 14 países. A pesquisa comparou as percepções de pessoas que vivem com obesidade e de pessoas que não vivem com essa condição.

No Brasil, os resultados mostram impactos relevantes da obesidade na percepção de saúde e bem-estar. Apenas 29% das pessoas com obesidade dizem estar satisfeitas com sua saúde física, enquanto entre aqueles que não vivem com a condição o índice chega a 52%.

A pesquisa também aponta efeitos na autoestima e na relação com a própria imagem. 92% afirmam que o peso impactou negativamente sua confiança, percentual acima da média global (85%). Além disso, 42% dizem evitar aparecer em fotos ou vídeos, o maior índice entre os países analisados.

Outro aspecto recorrente é a sensação de julgamento social: 43% das pessoas com obesidade afirmam sentir que são julgadas pela aparência, contra 30% entre quem não vive com a condição.

Ansiedade impulsiona busca por informação e tratamento

O estudo indica que a preocupação com a saúde tem levado parte dessa população a buscar orientação profissional e informações sobre controle de peso.

No Brasil, 55% das pessoas com obesidade consultaram um médico sobre o peso no último ano, enquanto a média global é de 35%. Já 62% buscaram informações sobre controle de peso na internet ou com conhecidos, o maior percentual entre os países pesquisados e acima da média global de 50%.

Autoculpabilização ainda persiste

Apesar de 82% dos brasileiros com obesidade reconhecerem a condição como uma doença que exige manejo contínuo, ainda há forte presença da narrativa de responsabilidade individual.

Segundo a pesquisa, 65% acreditam que a obesidade pode ser prevenida apenas por escolhas pessoais, e 66% concordam que dieta e exercícios seriam suficientes para resolver o problema.

Esse entendimento também aparece nas orientações recebidas por quem procurou assistência médica. Entre os entrevistados que consultaram um médico sobre o peso, 69% receberam recomendação para praticar mais exercícios, 63% para melhorar a alimentação e 42% para reduzir o tamanho das porções.

Entre aqueles que não buscaram acompanhamento médico recentemente, o principal motivo apontado foi o medo de fracassar: 30% dizem temer não conseguir manter as mudanças recomendadas.

Segundo Ana Luiza Pesce, diretora de Healthcare da Ipsos Brasil, o estudo mostra um comportamento particular no país.

“As pessoas que vivem com obesidade no Brasil não são passivas. Elas buscam orientação médica, impulsionadas pela preocupação com a saúde. No entanto, essa iniciativa muitas vezes vem acompanhada de um medo significativo de fracassar”, afirma.

Metodologia

O Ipsos Global Perceptions of Obesity Study entrevistou 14.500 adultos em 14 países: Áustria, Brasil, Canadá, Índia, Itália, México, Polônia, Romênia, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Espanha, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido.

No Brasil, foram ouvidas 1.000 pessoas, sendo 219 vivendo com obesidade e 781 sem a condição. A coleta foi realizada online entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

A classificação dos entrevistados considerou o IMC autorrelatado:

  • vivendo com obesidade: IMC ≥ 30 (≥ 25 na Índia e Coreia do Sul)
  • não vivendo com obesidade: IMC < 30 (< 25 na Índia e Coreia do Sul)

Os dados foram utilizados para comparar percepções relacionadas a diferentes dimensões da vida, como saúde física, bem-estar emocional, autoestima, relações sociais, hábitos alimentares e acesso à saúde.

Compartilhar