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Calorias: o que está por trás das mudanças de Milky Moo e Danone

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Nos últimos meses, o debate sobre transparência nutricional ganhou força no setor de foodservice. Dois exemplos recentes chamaram atenção: o caso da Milky Moo e a reformulação da Danone.

A rede de milkshakes viralizou quando consumidores descobriram que algumas bebidas ultrapassavam facilmente a ingestão calórica recomendada para um adulto em um único copo. O sabor Estrela, por exemplo, chegava a quase 3.000 kcal — o equivalente a toda a necessidade energética diária de muitas pessoas. A repercussão levou a marca a revisar toda sua tabela nutricional e divulgar os ajustes.

Já a Danone vem enfrentando outra frente de pressão: o excesso de açúcar em produtos voltados para crianças, como o tradicional Danoninho. A empresa iniciou um processo de redução gradual do ingrediente em diferentes linhas, sem recorrer a adoçantes artificiais, e pretende estender a reformulação também para itens voltados ao público adulto.

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A pressão por escolhas mais saudáveis

Esses movimentos refletem uma demanda crescente do consumidor por transparência e equilíbrio. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o açúcar não ultrapasse 10% das calorias ingeridas por dia, e desde 2022 a Anvisa exige selos de advertência em produtos com altos teores de açúcar. Isso obriga as indústrias a repensarem suas fórmulas e comunicarem de forma clara os riscos associados ao consumo excessivo.

Estudos reforçam a preocupação: levantamento da Universidade Federal de São Paulo mostrou que mais da metade dos produtos infantis disponíveis no Brasil apresentam altos índices de energia provenientes de açúcar e gordura.

Estratégias de adaptação

Além de reformular produtos, marcas como Danone e Nestlé têm investido em campanhas que associam seus alimentos a um estilo de vida mais ativo, apostando em receitas equilibradas e no consumo moderado. A tendência já se reflete no comportamento digital: pesquisas por termos como “receitas fitness com Danone” têm aumentado nos buscadores.

O desafio agora é equilibrar sabor, tradição e expectativa do consumidor com responsabilidade nutricional. O caso da Milky Moo mostra o risco da exposição negativa quando há falta de clareza, enquanto a Danone sinaliza um caminho de adaptação gradual às novas demandas.

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📌 No Portal Foodbiz, você encontra outras análises sobre como a regulação e o comportamento do consumidor estão pressionando empresas de alimentos a adotar estratégias mais transparentes e saudáveis.



Fonte: Diário do Litoral

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