A promoção da saúde antes da concepção é apontada como fundamental para o sucesso da gestação, segundo informações compartilhadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A consulta pré-concepcional permite identificar e corrigir fatores que possam afetar o desenvolvimento do feto, como idade materna, hábitos de vida, doenças crônicas e uso de medicamentos.
A gravidez traz uma série de mudanças no corpo e nas emoções da mulher, resultado das variações hormonais que acompanham cada fase da gestação. De acordo com a Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), estar preparada física e psicologicamente é importante para que os nove meses transcorrem bem.
Manter um estilo de vida equilibrado é fundamental para quem planeja engravidar. A ginecologista e obstetra, Juliana Ribeiro, recomenda seguir uma alimentação adequada, rica em frutas, vegetais, grãos integrais, proteínas magras e laticínios com baixo teor de gordura para garantir os nutrientes necessários para o bom desenvolvimento da gestação.
Outro ponto importante é a manutenção do peso corporal. Estar dentro da faixa adequada antes da concepção ajuda a reduzir o risco de complicações durante a gravidez e o parto. Ela orienta que as mulheres conversem com a ginecologista e um nutricionista para definir estratégias seguras de ganho ou perda de peso.
A prática de atividade física regular também está entre as recomendações. Exercícios moderados contribuem para melhorar a circulação, fortalecer o corpo, aumentar a resistência e controlar o estresse, preparando o organismo para as demandas da gestação.
Além disso, a médica alerta para a necessidade de evitar substâncias nocivas, como álcool, tabaco, drogas ilícitas e o consumo excessivo de cafeína, que podem interferir na fertilidade e trazer riscos à saúde do bebê.
Ainda de acordo com a OMS, esse acompanhamento é especialmente importante para mulheres com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, cardiopatias ou distúrbios da tireoide, pois ajuda a avaliar os riscos e ajustar os tratamentos antes da gravidez.
Doenças cardíacas exigem atenção
Entre as condições que exigem maior atenção estão as doenças cardíacas, que representam a principal causa não obstétrica de morte materna no Brasil, atingindo cerca de 4% das gestações. Os dados são da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) que afirma, ainda, que 40% dos óbitos poderiam ser evitados se houvesse maior conscientização sobre os riscos da gestação entre mulheres com histórico cardíaco.
Para essas gestantes, a recomendação é consultar um cardiologista ainda na fase de planejamento, garantindo que o coração esteja preparado para as demandas impostas pela gravidez. No entanto, a pesquisa da SBC revela que somente 32,2% afirmaram ter planejado a gestação, e 64,9% tiveram orientação sobre os seus riscos.
A Sogesp também alerta para o impacto das alterações nos hormônios tireoidianos durante o período. De acordo com a instituição, esses desequilíbrios podem causar aborto espontâneo, parto prematuro, restrição de crescimento fetal e outras complicações para a saúde materna.
Essas e outras condições devem ser avaliadas durante a consulta pré-concepcional, momento em que o especialista conversa com a paciente sobre o histórico de saúde e indica os exames necessários antes de engravidar, como exames ginecológicos e reprodutivos, TSH (hormônio tireoestimulante), sorologia e hemogramas.
Procurar atendimento médico próximo facilita a ida às consultas e o acompanhamento contínuo. Para quem vive na capital paulista, é possível buscar por um obstetra em São Paulo para iniciar o acompanhamento prévio à gravidez.
Imunização, controle do estresse e suplementação
Manter o calendário vacinal em dia é uma das principais medidas de preparação para a gravidez. A ginecologista e obstetra explica que é importante verificar se todas as vacinas estão atualizadas antes da concepção, garantindo a proteção da mulher e do bebê contra doenças infecciosas.
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) também reforça que essa atualização vacinal deve ser feita ainda no período pré-concepcional, já que algumas vacinas – como as de varicela, rubéola, caxumba e sarampo – contêm vírus vivos atenuados e não devem ser aplicadas durante a gestação.
Outro ponto importante é a suplementação de ácido fólico, que, segundo a médica, ajuda a prevenir defeitos no tubo neural do bebê. A sua recomendação é iniciar o consumo diário de 400 a 800 microgramas pelo menos um mês antes da concepção.
Cuidar da saúde mental é outro aspecto que não deve ser negligenciado. Segundo a Febrasgo, preocupações relacionadas à saúde do bebê, ao parto e à adaptação à nova rotina podem aumentar os níveis de ansiedade e afetar o bem-estar emocional da mãe.
Pensando nisso, a instituição reforça a importância da psicoterapia, que ajuda a processar sentimentos e enfrentar os desafios da gravidez, e o planejamento para a chegada do bebê, que pode reduzir a insegurança e aumentar a confiança nessa nova fase.
Ribeiro acrescenta que encontrar formas de gerenciar o estresse, como praticar atividades de relaxamento, meditação, ioga ou terapia, melhora as chances de concepção e promove uma gravidez mais saudável.







