O avanço das práticas ESG no setor de alimentos vem ampliando a pressão sobre as cadeias de suprimentos globais — e a produção de ovos está no centro dessa transformação. Empresas como McDonald’s, Nestlé, PepsiCo, Unilever e Marriott estão intensificando a adoção de ovos provenientes de sistemas cage-free, modelo em que as galinhas são criadas soltas, sem confinamento em gaiolas.
O movimento acompanha uma mudança de comportamento do mercado, impulsionada por consumidores mais atentos à sustentabilidade, bem-estar animal e transparência na produção de alimentos.
Segundo Arianna Torres, gerente sênior de políticas corporativas e programas para animais de fazenda da Humane World for Animals México, a demanda por produtos oriundos de sistemas sem gaiolas vem apresentando crescimento contínuo na América Latina. “Cada vez mais empresas reconhecem que isso deixou de ser uma questão marginal e passou a ser uma expectativa crescente do mercado e dos investidores”, afirma.
A adoção desse modelo integra estratégias ESG de grandes companhias globais e também surge como forma de antecipar possíveis mudanças regulatórias e reduzir riscos reputacionais.
Um dos casos destacados é o da Bimbo, considerada a maior empresa de panificação do mundo. Atualmente, 42% dos ovos utilizados globalmente pela companhia já vêm de granjas livres de gaiolas. Segundo a empresa, a transição impactou diretamente cerca de 1,6 milhão de galinhas em sua cadeia de suprimentos.
Além do apelo ligado ao bem-estar animal, a produção cage-free também vem sendo associada a maior controle operacional, transparência e fortalecimento da resiliência das cadeias produtivas.
Mercado em expansão
Dados da consultoria 360iResearch apontam que a produção de ovos de galinhas criadas soltas deve crescer entre 3,5% e 5% ao ano até 2030. Apesar disso, o modelo tradicional ainda predomina em diversos mercados latino-americanos.
No México, por exemplo, mais de 90% da produção de ovos ainda ocorre no sistema convencional, segundo dados do Sindicato Nacional da Avicultura. Ainda assim, estimativas da Certified Humane indicam que até 2040 cerca de 40% da produção nacional poderá vir de sistemas cage-free.
A tendência reforça uma mudança estrutural na indústria de alimentos, em que critérios de sustentabilidade e responsabilidade social deixam de ser diferenciais de imagem para se tornarem fatores estratégicos de negócio.







