Produzir alimentos em quantidade suficiente, com preço acessível e menor impacto ambiental é um dos grandes desafios das próximas décadas. Em um mundo com cerca de 670 milhões de pessoas em situação de fome e mais de 2 bilhões enfrentando algum nível de insegurança alimentar, a discussão sobre o futuro da alimentação ganha urgência.
O tema vai além de aumentar a produção. Para especialistas, será essencial tornar os sistemas produtivos mais eficientes, reduzir perdas ao longo da cadeia e ampliar práticas sustentáveis no campo.
Nesse contexto, o Brasil aparece como um ator estratégico. O país já tem papel relevante no abastecimento global e reúne condições para expandir sua produção sem avançar sobre novas áreas, especialmente por meio da recuperação de pastagens degradadas, agricultura de baixo carbono, bioinsumos, sistemas integrados e manejo regenerativo do solo.
Desperdício ainda é um dos maiores gargalos
Quase um terço dos alimentos produzidos no mundo não chega ao consumo. Segundo estimativas citadas no debate, 13% se perdem entre a colheita e o varejo, enquanto outros 19% são descartados na etapa de consumo, incluindo residências, restaurantes e supermercados.
Para o foodservice, esse dado reforça uma oportunidade importante: melhorar processos de compra, armazenamento, preparo e reaproveitamento. Alimentos que perdem valor comercial, mas continuam próprios para consumo, podem ser destinados a preparações, sucos, itens processados ou outras soluções que reduzam perdas e gerem valor.
Solo, tecnologia e agricultura regenerativa entram no centro da pauta
Mesmo com o avanço da tecnologia, produtores seguem expostos a instabilidades climáticas, conflitos geopolíticos e aumento de custos. Por isso, práticas ligadas à saúde do solo vêm ganhando espaço como estratégia de produtividade e resiliência.
A agricultura regenerativa, por exemplo, tem sido apontada como uma ferramenta para reduzir perdas futuras, melhorar a fertilidade do solo e manter a produtividade mesmo em cenários adversos. O uso de diferentes plantas, sistemas integrados e técnicas de manejo contribui para tornar a produção mais estável e sustentável.
Brasil pode ampliar produção sem desmatar
Um dos pontos centrais para o futuro da segurança alimentar é a capacidade de produzir mais usando melhor as áreas já disponíveis. O Brasil possui cerca de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas que podem ser recuperadas e convertidas em áreas produtivas.
Essa agenda está alinhada ao plano ABC+, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, que busca ampliar a produção com menor impacto ambiental. Para o país, o desafio será transformar esse potencial em escala, combinando inovação, sustentabilidade e eficiência.
O que isso significa para o foodservice
Para restaurantes, redes, fornecedores e operadores da alimentação fora do lar, o futuro da segurança alimentar passa por uma cadeia mais inteligente. Isso inclui redução de desperdício, melhor aproveitamento de ingredientes, compras mais planejadas, conexão com fornecedores sustentáveis e atenção crescente à origem dos alimentos.
A produção sustentável deixa de ser apenas uma pauta do campo e passa a influenciar diretamente custos, abastecimento, reputação e inovação no foodservice.







