Segundo a Abrasel, 28% dos estabelecimentos já usaram inteligência artificial em algum momento, em um avanço que começa a alcançar atendimento, cardápio, estoque e gestão de canais.
A inteligência artificial começou a ganhar espaço na rotina de bares e restaurantes brasileiros em um momento de pressão por eficiência, controle de custos e agilidade na operação. Segundo pesquisa da Abrasel com 2.128 empresários mostra que 28% dos estabelecimentos já usaram IA em algum momento. Entre os principais usos, 40% citaram marketing, 26% atendimento automatizado e 17% criação ou reformulação de cardápio, precificação e sugestão de combinações. Apesar do uso ainda ser inicial, os resultados têm sido satisfatórios para 70% dos empresários que já usam a tecnologia.
A familiaridade com a tecnologia também cresceu fora do setor. A pesquisa Opinion Box/CX Brain, realizada entre abril e maio de 2025, mostrou que 95% dos brasileiros já usaram produtos ou serviços com inteligência artificial e que 45% fazem isso diariamente. No ambiente corporativo, 53% dos profissionais disseram que suas empresas já utilizam alguma solução do tipo. No food service, esse avanço aparece em tarefas ligadas a atendimento, cardápio, estoque e gestão.
Como o setor alimentício utiliza a Inteligência Artificial
Bares e restaurantes movimentaram R$ 495 bilhões em 2025, acima dos R$ 455 bilhões registrados em 2024, segundo a Abrasel. Mesmo com o crescimento, o setor segue lidando com desafios conhecidos, como controle de custos, organização da operação e necessidade de maior previsibilidade. É nesse tipo de rotina, que a IA começa a ganhar espaço.
Parte desse uso aparece em tarefas que o cliente quase nunca vê, mas que pesam no funcionamento do negócio. Atualizar cardápios em diferentes canais, revisar cadastros de produtos, estruturar insumos e responder dúvidas recorrentes estão entre os pontos em que a tecnologia começa a ser incorporada. Entre as empresas que já aplicam esse tipo de recurso ao food service está a Saipos, sistema que passou a usar IA em etapas operacionais da gestão de restaurantes e delivery.
Para Kenner Grings, fundador e CTO da Saipos, a entrada da inteligência artificial no setor responde a uma lacuna antiga. “O food service ainda é um setor bastante carente de tecnologia, mas tem passado por mudanças importantes nos últimos anos. Hoje, temos mais elementos tecnológicos a favor da operação, e faltava um player que levasse isso para dentro do restaurante. Na Saipos, otimizamos a operação, automatizamos processos e integramos etapas que antes ficavam dispersas”, afirma.
Na organização do cardápio, a tecnologia é usada para interpretar informações enviadas por canais integrados e relacioná-las aos itens cadastrados no sistema. Em operações que lidam ao mesmo tempo com salão, delivery e diferentes plataformas, isso reduz ajustes manuais e ajuda a dar mais fluidez ao caminho do pedido até etapas como estoque, impressão e organização interna.
No atendimento, a adoção já aparece de forma mais visível. Segundo a Abrasel, 26% dos estabelecimentos que já usaram IA apontaram o atendimento automatizado entre as principais aplicações da tecnologia. A entidade também informa que 38% dos negócios já utilizam algum nível de automação no WhatsApp, um canal que representa 26% do faturamento do delivery, atrás apenas dos marketplaces. Nesse cenário, bots com IA começam a ganhar espaço para lidar com dúvidas recorrentes, informações básicas e acompanhamento de pedidos.
A IA nas pequenas ações dos restaurantes
Boa parte desse avanço não está em experiências futuristas, mas em pequenos ganhos de execução. Em muitos casos, o que muda não é a vitrine do restaurante, mas o que acontece por trás dela: um pedido que entra melhor estruturado, uma resposta mais rápida, um cadastro menos sujeito a erro ou uma base de estoque mais organizada. É isso que ajuda a explicar por que a IA começa a se espalhar no food service de forma gradual, mas concreta.
O setor ainda convive com estágios diferentes de maturidade, do uso pontual à incorporação mais estruturada na rotina. Ainda assim, a tecnologia já deixou de aparecer apenas como promessa e passou a ocupar funções concretas dentro da operação.
No food service, a mudança começa onde a rotina é mais sensível: no atendimento, no cadastro, no estoque e na integração entre canais. A inteligência artificial ainda não substitui a lógica do negócio, nem elimina a importância do atendimento humano, da decisão do gestor e da execução da equipe. Mas já começa a mudar a forma como restaurantes organizam informações, distribuem tarefas e lidam com a complexidade da própria operação.







