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IA com sotaque mineiro: cooperativa cria assistente para valorizar café, queijo e cultura

Uma cooperativa do Sul de Minas Gerais decidiu apostar na inteligência artificial como forma de promover produtos regionais e aproximar tradição e tecnologia. Batizada de iUai, a ferramenta foi criada para divulgar a cultura local, destacando itens emblemáticos como café, queijo e a hospitalidade típica da região.

Desenvolvida pela cooperativa CooperRita, em parceria com a startup de mineração de dados Crawly, a solução foi apresentada no fim de janeiro de 2026. A proposta é usar IA generativa para criar uma experiência digital que reflita o estilo de vida do interior mineiro, aproximando inovação tecnológica do cotidiano regional.

A iniciativa nasceu em Santa Rita do Sapucaí, cidade conhecida como “Vale da Eletrônica”, um dos polos de tecnologia do país. A ideia dos idealizadores foi aproveitar o avanço das ferramentas de inteligência artificial — mercado que pode movimentar cerca de US$ 40 bilhões até 2030 — e conectá-lo à identidade cultural da região.

Segundo Lucas Alckmin, presidente da CooperRita, a tecnologia foi pensada para ter uma abordagem mais próxima e humana. A proposta é que a ferramenta funcione como uma espécie de anfitriã digital, capaz de conversar sobre o café recém-passado, sugerir combinações com queijos mineiros e até compartilhar histórias típicas do interior.

Para a cooperativa, que reúne cerca de mil produtores e fatura mais de R$ 450 milhões por ano, a IA também funciona como estratégia para fortalecer a marca e ampliar a visibilidade dos produtos locais, principalmente entre consumidores mais jovens.

IA treinada com sotaque e repertório regional

A iUai foi desenvolvida para operar de forma intuitiva, processando texto e voz em linguagem natural. O diferencial está no banco de dados que alimenta o sistema: todo o conteúdo foi treinado com referências culturais e gastronômicas do Sul de Minas.

Entre as funções da ferramenta estão:

  • Sugestões gastronômicas: receitas e combinações inspiradas na culinária mineira.
  • Curadoria cultural: recomendações de curiosidades, histórias e referências regionais.
  • Conteúdo contextualizado: respostas com linguagem e expressões típicas da região.

O projeto contou com apoio criativo da agência AlmaLab e levou cerca de três meses de pesquisa para garantir que o “mineirês” soasse natural.

De acordo com Thatiana Paiva, gestora de marketing da cooperativa, a proposta vai além da tecnologia. “A ideia era criar uma experiência de IA conversacional que fosse útil no dia a dia e, ao mesmo tempo, funcionasse como vitrine para a produção local, ampliando o alcance da marca e aproximando novos públicos”, afirma.

A iniciativa mostra como cooperativas e empresas do agronegócio começam a explorar a inteligência artificial como ferramenta de comunicação e valorização de origem, tendência que também pode abrir novas oportunidades para o foodservice e para marcas interessadas em storytelling territorial.

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