O iFood acaba de dar um passo importante em sua jornada tecnológica. A empresa desenvolveu sua própria linguagem de inteligência artificial, o Large Commercial Model (LCM) — uma versão adaptada dos grandes modelos de linguagem (LLMs), mas voltada especificamente ao mercado brasileiro de alimentação e e-commerce.
Com 14 anos de experiência e uma base de dados robusta — tanto própria quanto da controladora Prosus —, o iFood busca levar a hiperpersonalização a outro nível. O novo sistema já vem apresentando resultados expressivos: as notificações enviadas com base no LCM têm quatro vezes mais conversão, e o impacto no Ebitda da empresa já chega a 30% de alta.
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Ailo: o “chef virtual” do iFood
O primeiro produto criado com base no LCM é o Ailo, um agente de IA generativa que atua no estilo do ChatGPT. Ele permite que o usuário converse com a ferramenta para receber sugestões de refeições personalizadas — por exemplo, pedindo “uma comida leve” ou “algo rápido para o almoço”.
Em fase beta desde junho, o Ailo já foi testado por 70 mil usuários, acumulando mais de 100 mil interações. Os resultados são promissores: consumidores que usam o agente têm 48% mais chance de concluir a compra, com pedidos realizados 33% mais rápido. A expectativa é que a ferramenta chegue a 1 milhão de pedidos até março de 2026.
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Redução de custos e expansão tecnológica
Além da personalização, o LCM trouxe ganhos significativos de eficiência. De acordo com o diretor de dados e IA do iFood, Thiago Cardoso, o desenvolvimento interno reduziu os custos em 60 vezes, sem perda de performance em relação aos modelos internacionais.
A ferramenta foi desenhada para ser agnóstica e escalável, podendo ser aplicada em outras empresas do grupo Prosus, como Decolar, OLX e Sympla.
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A nova fase da IA no iFood
A chegada do LCM e do Ailo marca a quarta fase da estratégia de IA do iFood, iniciada em 2018 com foco em dados e antifraude. Agora, a empresa avança com agentes de IA internos para seus 8 mil colaboradores, além de apostar em robôs autônomos e drones logísticos, como o veículo Ada, desenvolvido em parceria com a Synkar.
Segundo o diretor de inovação e parcerias Thiago Viana, essa transformação é essencial para manter a competitividade diante de novos players internacionais — como a chinesa Meituan, que trouxe a marca Keeta ao Brasil, e a 99Food, que voltou ao mercado nacional.
“Somos um negócio hiperlocal”, destaca Viana. “Precisamos entender cada cliente e cada restaurante em seu contexto. Não existe restaurante genérico.”
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Essa inovação reforça como o foodservice brasileiro tem se tornado um dos ambientes mais dinâmicos para aplicação de inteligência artificial, unindo tecnologia e experiência gastronômica para entregar conveniência, personalização e eficiência.
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Fonte: NeoFeed (matéria de Ivan Ryngelblum)







