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Cerveja cresce em ocasiões fora do lar, mas perde 1 milhão de consumidores

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O Dia Internacional da Cerveja, celebrado em agosto, é um bom momento para refletir sobre os rumos desse mercado. Estudos recentes mostram um cenário de contrastes: de um lado, mais ocasiões de consumo fora de casa; de outro, queda no número de consumidores no Brasil e sinais de retração em mercados tradicionais no exterior.

Oscilações no consumo brasileiro

Segundo o estudo Brand Footprint Brasil 2025, da Worldpanel by Numerator, 63% dos brasileiros ainda preferem beber cerveja fora de casa — índice que passa dos 70% em São Paulo e no Rio de Janeiro. Apesar disso, o setor perdeu 1,1 milhão de consumidores entre agosto e dezembro de 2024.

A contradição aparece quando olhamos para as ocasiões: elas cresceram 20%, somando 41,4 milhões no período. Ou seja, quem permanece no mercado consome com mais frequência. O gasto médio anual por pessoa chega a R$ 145 em bares e restaurantes, com quatro visitas por ano.

Entre os principais motivos para pedir uma cerveja fora de casa estão o sabor (43%), o simples desejo de “matar a vontade” (14%) e o hábito (14%). Provar novos sabores também desponta como tendência, com alta de 35%. Millennials, Geração X e Baby Boomers respondem juntos por mais de 70% dessas ocasiões.

O delivery também faz parte do jogo: 10% dos brasileiros já compram cerveja por aplicativos, com destaque para as classes AB.

No ranking das marcas mais escolhidas, a liderança é da Brahma (113,9 milhões de CRP), seguida por Antarctica, Skol, Heineken e Itaipava.

Alemanha registra pior queda em 30 anos

Na Alemanha, país símbolo da cultura cervejeira, o consumo no primeiro semestre de 2025 foi de 3,9 bilhões de litros — queda de 6,3% em relação ao mesmo período de 2024 e o menor volume desde 1993, segundo a Destatis. O encolhimento é atribuído a fatores como envelhecimento da população, dificuldades econômicas e custos altos de insumos e energia.

Apesar disso, o país segue como terceiro maior consumidor mundial, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, mas liderando no consumo per capita. Uma alternativa em crescimento é a cerveja sem álcool, que já aumentou 8% no último semestre.

Novas tendências: saúde e consumo consciente

O movimento de bebidas low & no alcohol vem crescendo cerca de 7% ao ano no mundo, de acordo com a IWSR. No Brasil, o fenômeno se fortalece entre jovens adultos e consumidores atentos ao bem-estar, que priorizam saúde, sono e desempenho físico.

Entre os mais velhos, a busca é por equilíbrio e moderação, com foco na longevidade. Já para os mais jovens, bebidas sem álcool, energéticos e kombuchas vêm ocupando espaço em festas e encontros, sinalizando um jeito diferente de socializar.

O papel da cerveja no Brasil

Mesmo em meio a mudanças, a cerveja continua sendo a bebida alcoólica mais consumida globalmente e peça central na socialização. O setor responde por 2% do PIB brasileiro, gera mais de 2 milhões de empregos e movimenta mais de R$ 27 bilhões em salários por ano.

As cervejas especiais e artesanais seguem em alta, trazendo diversidade de sabores e identidade ao mercado nacional. Para o futuro, o grande desafio das cervejarias é equilibrar tradição e inovação: manter a relevância da bebida, mas atender também às novas demandas por saúde, moderação e consciência no consumo.



Fonte: Portal Engarrafador Moderno

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