O veganismo vem deixando de ser um estilo de vida alternativo para se consolidar como uma escolha cada vez mais presente nas decisões de consumo. Questões ambientais, bem-estar animal e saúde são os pilares que sustentam essa transformação — e que têm impulsionado o crescimento acelerado do mercado de produtos veganos no Brasil e em diversas partes do mundo.
No contexto brasileiro, os sinais dessa mudança já são claros. Uma pesquisa do IPEC revelou que 46% dos brasileiros com mais de 35 anos deixaram de consumir carne ao menos uma vez por semana por escolha própria. Além disso, 32% afirmaram optar por opções veganas ao comer fora, o que evidencia a relevância crescente das alternativas à base de plantas no cotidiano alimentar.
Fora do Brasil, o movimento é igualmente expressivo. De acordo com a Bloomberg Intelligence, o mercado global de alimentos plant-based deve saltar de US$ 29,4 bilhões em 2020 para US$ 162 bilhões até 2030. Isso representa um crescimento de quase cinco vezes em apenas uma década. O segmento de cosméticos veganos também acompanha essa curva: segundo a consultoria Grand View Research, esse mercado deve alcançar US$ 25,3 bilhões até o mesmo ano, impulsionado por consumidores em busca de fórmulas limpas, éticas e sustentáveis.
No Brasil, o avanço também é perceptível na criação de empresas com foco vegano. Dados do Ministério da Economia indicam que o número de negócios com o termo “vegano” no nome cresceu 500% nos últimos dez anos. Outro reflexo dessa expansão é a procura por certificações: o Selo Vegano da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), criado em 2013, já contempla mais de 3.900 produtos de cerca de 250 empresas. Alimentos, cosméticos, itens de higiene, suplementos, produtos de limpeza e até calçados fazem parte dessa lista.
A SVB aponta que o crescimento do veganismo está diretamente relacionado a mudanças culturais profundas. A população está cada vez mais atenta ao impacto das suas escolhas: saúde, sustentabilidade e ética se tornaram fatores determinantes para o consumo. Com isso, as exigências se ampliam para além da alimentação. Os consumidores buscam roupas feitas com tecidos naturais, cosméticos livres de ingredientes de origem animal e não testados em animais, além de soluções sustentáveis para o dia a dia — algo impensável no mercado nacional há apenas alguns anos.
Com mais acesso à informação, novas regulamentações e marcas inovadoras surgindo, o setor vegano caminha para consolidar-se como um dos mais promissores da próxima década. O que antes era uma escolha de nicho hoje se transforma em uma macrotendência que conecta valores, inovação e novas oportunidades de negócios.
Fonte: Vegan Business







