Quando Casey Keller assumiu o comando da B&G Foods, dona de marcas como Green Giant, Crisco e Dash, há quatro anos, sabia que o desafio ia muito além de feijões enlatados ou molhos prontos. O executivo, com mais de três décadas de experiência no setor de bens de consumo, rapidamente percebeu que a empresa de 130 anos tinha uma oportunidade clara de evolução: as embalagens.
“A principal comunicação acontece na prateleira, com o consumidor”, afirma Keller. “Eles decidem em uma fração de segundo — e, se você não entende como sua embalagem se comporta diante das opções disponíveis, está em desvantagem.”
No universo dos alimentos e bebidas, a embalagem deixou há muito de ser apenas uma camada protetora. Ela é um ponto de contato direto com o consumidor, um espaço de narrativa e decisão. Segundo dados da BusinessDasher, 80% dos consumidores afirmaram ter comprado um produto novo porque a embalagem chamou sua atenção, e quase três quartos disseram que ela influencia fortemente sua decisão de compra. Metade dos entrevistados admitiu ter trocado de marca por esse motivo — e 30% das empresas que investiram em redesign relataram aumento de receita.
Mesmo assim, o tema historicamente ficou em segundo plano na indústria. Mas esse cenário está mudando.
Da improvisação à estratégia
Keller reconhece que, por muito tempo, a B&G foi “um pouco improvisada” em relação ao design de embalagens. Hoje, a empresa trata o assunto com mais disciplina e método, testando novas propostas em ambientes reais para entender como os consumidores reagem às mudanças.
Durante a pandemia, o foco das fabricantes esteve em garantir abastecimento, e não em design. Mas, com o mercado estabilizado e a inflação pressionando o bolso do consumidor, a disputa por atenção voltou com força. Em um setor onde até 80% dos novos produtos de supermercado fracassam no primeiro ano, o apelo visual e informativo da embalagem tornou-se uma das principais armas competitivas.
O que o consumidor quer ver
Os dados indicam um caminho claro: consumidores valorizam embalagens que comuniquem benefícios, ingredientes e valor de forma transparente. Em tempos de escolha rápida e orçamentos ajustados, a clareza e a autenticidade da comunicação visual são tão importantes quanto o próprio produto.
Para marcas do foodservice e da indústria, o recado é direto: a embalagem é, hoje, uma das formas mais eficazes de construir confiança e fidelidade. Investir nela não é estética — é estratégia.
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Fonte: Food Dive







