O comportamento da Geração Z segue redesenhando o mercado de alimentação fora do lar — e isso inclui um ponto sensível para o faturamento dos restaurantes: o consumo de bebidas alcoólicas. Para o chef David Chang, fundador do grupo Momofuku e dono de duas estrelas Michelin, esse movimento representa uma “ameaça existencial” para um setor que já opera sob margens apertadas.
Em conversa com John Coogan e Jordi Hays no talk show TBPN, com trechos repercutidos pelo Business Insider, Chang foi direto: “Os jovens simplesmente não bebem mais.”
Menos álcool, menos margem
Em muitos restaurantes norte-americanos, a divisão de vendas costuma ficar em 70% comida e 30% bebidas — sendo estas últimas as responsáveis por grande parte da rentabilidade. A queda no consumo impacta diretamente esse equilíbrio. Segundo Chang, algumas casas já registram redução de até 18% nas vendas de bebidas, o que força ajustes no modelo de negócio.
O que dizem as pesquisas
• Um levantamento da Gallup mostra que a participação de jovens adultos que declaram consumir álcool caiu nove pontos percentuais entre 2023 e 2025.
• Entre os motivos estão a busca por saúde e bem-estar, o preço elevado das bebidas e mudanças no estilo de vida — como a troca das baladas por jantares com amigos.
• No Brasil, a tendência também avança: segundo pesquisa Ipsos-Ipec para o relatório Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025, 64% dos brasileiros afirmaram não consumir álcool neste ano, com destaque para os consumidores da Geração Z.
Um setor já pressionado
Além da queda na venda de bebidas, o foodservice convive com insumos mais caros, custos trabalhistas elevados e consumidores mais cautelosos. Phil Karafakis, CEO da IFMA (The Food Away From Home Association), resume o cenário: “O sentimento do consumidor está em uma situação muito ruim.”
Nesse contexto, restaurantes precisam rever preços e estratégias. Mas Chang reconhece o dilema:
“A comida precisa ficar mais cara, mas isso soa terrível… porque ela já é cara.”
Karafakis prevê meses de ajustes e até mais fechamentos. Para ele, o setor enfrenta “uma espécie de tsunami que não parece perder força.”
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Fonte: PEGN







