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Indústria de bebidas acelera busca por alternativas ao açúcar

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Reduzir o açúcar sem perder o sabor é um dos grandes desafios atuais da indústria de bebidas. A resposta pode estar em mais ciência, menos doçura e uma mudança gradual no paladar dos consumidores.

Um estudo da consultoria Stellarix, especializada em inovação estratégica, aponta que o setor global ainda está distante de alcançar as metas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda que o consumo de açúcares livres represente menos de 5% da ingestão calórica diária. Embora avanços em adoçantes naturais e artificiais estejam em curso, a substituição completa do açúcar enfrenta barreiras sensoriais e de aceitação.

Por que o açúcar vai além do sabor?

Segundo o relatório, o açúcar contribui não só para o gosto, mas também para a textura, a sensação na boca e o prazer associado às bebidas. Mesmo consumidores atentos à saúde esperam perfis de sabor intensamente doces — um desafio para quem busca reduzir o teor de açúcar sem perder mercado.

Apesar disso, as projeções são otimistas. A Stellarix estima que o mercado global de bebidas sem açúcar ultrapasse US$ 24 bilhões até 2030, com crescimento médio anual superior a 46%.

Novos perfis de sabor e tecnologias

Uma das tendências destacadas é o uso de combinações mais complexas — como doce com azedo, doce com salgado ou notas levemente fermentadas. Bebidas como kombuchá, kvass, tepache e kefir têm conquistado espaço nos Estados Unidos e Europa, sinalizando que o paladar do consumidor está em transformação.

Empresas de ingredientes e alimentos também têm apostado em soluções inovadoras. A Nestlé desenvolveu um método para converter parte do açúcar em fibras prebióticas, reduzindo em até 50% o teor calórico sem comprometer o sabor. Já a Givaudan tem criado adoçantes alternativos que preservam a percepção de doçura e podem ser aplicados a diversas categorias de bebidas.

O caso Tial e a força da biodiversidade brasileira

No Brasil, a mineira Tial mostra como a redução gradual de açúcar pode acontecer sem rejeição do consumidor. A empresa adaptou suas fórmulas de sucos e bebidas mistas ao longo do tempo, eliminando o selo de alto teor de açúcar da Anvisa.

Com presença em 17 estados, a Tial adquiriu a marca Do Bem em 2024 e faturou R$ 400 milhões, projetando chegar a R$ 1 bilhão em 2027. O crescimento acompanha a expansão do mercado de sucos 100% fruta no país, que deve evoluir de R$ 5,3 bilhões para R$ 9 bilhões até 2028, segundo a Euromonitor International.

Redução do açúcar como estratégia de valor

A consultoria Stellarix destaca que mais pesquisas são necessárias para compreender os impactos de novos adoçantes na saúde intestinal e cardiovascular, o que poderá redefinir sua classificação em termos de benefício e eficácia.

Para liderar esse movimento, empresas precisam alinhar inovação em ingredientes, adequação sensorial e estratégias regionais de marketing — sempre priorizando segurança e qualidade nutricional. A redução de açúcar, antes vista como obrigação regulatória, passa a ser um vetor de inovação e posicionamento no mercado.



Fonte: BHB Food

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