Já são mais de 10 casos suspeitos de gripe aviária no Brasil, segundo investigação do Ministério da Agricultura e Pecuária. Como consequência, os preços do frango vêm registrando quedas expressivas no mercado interno, de acordo com relatório do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. O surto da influenza aviária tende a aumentar temporariamente a oferta de aves e ovos no mercado doméstico, o que pode, em contrapartida, impactar o setor de carne bovina. Para Leandro Rosadas, especialista em gestão de supermercados, essa movimentação ocorre porque os consumidores devem migrar de uma proteína para outra.
“A percepção de risco, mesmo que não haja contaminação direta nos produtos, já é suficiente para mudar o comportamento de compra. Esse desvio na demanda impacta diretamente os preços do frango, dos ovos e até da carne bovina”, afirma Rosadas. Não à toa, os preços da carne de frango e dos ovos no mercado interno brasileiro registraram forte queda nas últimas semanas. A desvalorização é resultado do aumento da oferta, já que cerca de 24 países ainda mantêm suspensas as importações do Brasil devido ao foco de gripe aviária identificado em uma granja comercial no Rio Grande do Sul. No caso dos ovos, a tendência de queda já vinha sendo observada desde o fim da Quaresma, mas foi intensificada pela crise sanitária.
“Vale ressaltar que além da procura por outras dos brasileiros por outras proteínas, o cenário é agravado pela demanda interna enfraquecida. Essa é uma característica comum com a chegada no fim de mês, um período em que o poder de compra dos consumidores é reduzido. Apesar disso, a tendência é que o preço nas prateleiras de supermercados continue a cair nos próximos dias”, afirma Rosadas.
O impacto em supermercados
Para Leandro, uma medida fundamental para o varejo alimentar lidar com o surto da gripe aviária é ter uma diversificação de fornecedores. Isso porque em momentos de crise sanitária, ter pouco parceiros na cartela de opções impactar negativamente no abastecimento dos supermercados.
“Além dessa logística, manter uma transparência com o consumidor é importante. A comunicação das redes supermercadistas devem manter os canais atualizados com informações claras sobre a origem dos produtos disponíveis nas prateleiras, além de pontuar os cuidados tomados na cadeia de produção. Outra estratégia é destacar itens que podem ser substitutos do frango, como cortes bovinos e suínos, além das proteínas vegetais. Esses produtos podem ser destacados nas gôndolas e com preços atrativos. Esse movimento não só ajuda a equilibrar a demanda dos consumidores, como também pode reduzir pressões sobre categorias específicas”, finaliza o especialista em gestão de supermercados.
Sobre Leandro Rosadas (@leandrorosadas):
Leandro Rosadas é economista, escritor e especialista em gestão de supermercados, hortifrutis, atacarejos, padarias e açougues. Formado em economia pela UFRRJ, o carioca já atuou como professor universitário e consultor no mercado de varejo. Hoje, Rosadas é considerado uma das maiores referências entre os especialistas do seu segmento, sendo responsável pela formação em gestão de mais de 11 mil proprietários de supermercados Brasil afora. O especialista também é autor dos livros “Luuuucro” e “Dobre o lucro do seu supermercado”.
Fonte: Broto Comunicação







