O matcha, pó de chá verde usado há séculos em cerimônias tradicionais japonesas, virou protagonista nas redes sociais. No TikTok e no Instagram, a cor vibrante e o apelo de ser uma alternativa mais “limpa” ao café transformaram o ingrediente em estrela de lattes, sobremesas e até suplementos.
Mas a popularidade trouxe um efeito colateral: a demanda disparou, a oferta não acompanhou e o matcha entrou em rota de escassez.
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Mercado em expansão acelerada
Segundo a Grand View Research, o mercado global de matcha movimentou US$ 478,8 milhões em 2024 e deve alcançar US$ 762,6 milhões até 2030. Só no varejo, as vendas do pó cresceram 86% nos últimos três anos, segundo a NielsenIQ.
Esse crescimento, porém, tem pressionado produtores japoneses — responsáveis pela versão mais tradicional e valorizada do matcha. Uma combinação de ondas de calor intensas, envelhecimento da população agrícola e processos de produção complexos reduziu a oferta, elevando os preços a níveis históricos.
Em Kyoto, por exemplo, o preço do Tencha (a folha-base do matcha) subiu 265% entre 2024 e 2025, segundo dados locais.
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Do campo ao cambista
Com a dificuldade de compra, surgiram revendedores não autorizados, que adquirem grandes quantidades para revenda com margens ainda mais altas. Algumas casas de chá japonesas, como a Marukyu Koyamaen, chegaram a publicar listas de revendedores não oficiais para alertar consumidores.
Além disso, cafeterias nos Estados Unidos relatam aumento no tempo de espera para receber matcha: de dois meses para até seis. A tarifa de importação de 15% sobre produtos japoneses também pressiona ainda mais os preços nesse mercado.
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A resposta dos produtores
Diante do cenário, agricultores japoneses têm direcionado áreas antes dedicadas a outros chás exclusivamente para o cultivo de matcha. Paralelamente, países como China, Índia e Quênia estão investindo em produção para atender a parte dessa demanda.
Ainda assim, especialistas alertam que expandir a oferta de qualidade não é rápido: uma nova árvore leva até cinco anos para atingir o ponto ideal de colheita.
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O futuro do matcha
O matcha de maior qualidade segue reservado a contextos tradicionais, como a cerimônia do chá japonesa, enquanto versões mais acessíveis devem abastecer cafeterias e redes de alimentação. Para quem busca apenas o efeito funcional ou a estética do verde intenso, alternativas dentro da família Camellia sinensis (como chás verde, branco e oolong) podem ser substitutos viáveis.
O movimento mostra como tendências digitais conseguem moldar cadeias produtivas globais e desafiar estruturas agrícolas tradicionais. Para o setor de foodservice, acompanhar esses sinais é essencial para entender a próxima onda de ingredientes que pode impactar cardápios e operações.
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Fonte: Food Dive







