O fechamento temporário do governo norte-americano — o chamado shutdown — está impactando diretamente a indústria de bebidas alcoólicas. Cervejarias, vinícolas e destilarias foram obrigadas a adiar lançamentos e reformulações de produtos por conta da paralisação das aprovações regulatórias exigidas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Entre as marcas afetadas está a Cleveland Whiskey, uma destilaria artesanal de Ohio que precisou suspender a produção de uma nova versão cremosa do seu uísque Magic Rabbit, com sabor de chocolate e amendoim. Segundo o fundador, Tom Lix, nove novos rótulos estão parados, o que representa perda de receita e risco de demissões.
“Se você não consegue colocar o produto no mercado, não consegue gerar receita”, resume o advogado Rob Pinson, que representa vinícolas e destilarias no Tennessee e na Louisiana.
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Um impasse em um momento delicado
O setor já vinha enfrentando desafios. As exportações de destilados dos EUA estão em queda, pressionadas pela guerra comercial conduzida por Donald Trump. Ao mesmo tempo, o consumo interno diminui: apenas 54% dos adultos afirmam beber, segundo pesquisa da Gallup — o menor índice desde 1939.
Agora, com o shutdown, o Escritório de Impostos e Comércio de Álcool e Tabaco (TTB), responsável por aprovar rótulos e fórmulas, reduziu drasticamente sua operação. Mais de 86% dos funcionários foram colocados em licença não remunerada, e mais de 200 mil pedidos anuais de aprovação estão temporariamente suspensos.
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Efeitos em cadeia e prejuízos financeiros
As consequências são imediatas. Pequenas vinícolas e microcervejarias relatam atrasos na produção de rótulos sazonais — especialmente os lançamentos natalinos e de inverno. Em 2018 e 2019, um fechamento semelhante causou atrasos de até cinco meses.
Julie Berge, vice-presidente do Wine Institute, alertou que “para muitas vinícolas, esses atrasos são financeiramente insustentáveis”.
A St. Augustine Distillery, da Flórida, é outro exemplo. A empresa planejava lançar novas embalagens e um bourbon reformulado para o fim de ano, mas o produto segue aguardando aprovação. “Pode parecer um detalhe menor, mas isso realmente tira o chão da gente”, afirma Richard deMontmollin, vice-presidente da destilaria.
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Reflexos para o mercado global
Embora o shutdown seja um evento interno dos EUA, o impacto se estende a toda a cadeia global de bebidas alcoólicas. Atrasos nas aprovações afetam exportações e o fornecimento internacional, especialmente em categorias premium.
Para o setor de foodservice, a situação serve de alerta: a dependência de regulação e logística internacional pode interferir no abastecimento de bares e restaurantes, influenciando preços e disponibilidade de produtos.
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📍 Fonte: Adaptado de Bloomberg Línea







