Os consumidores estão cada vez mais atentos à qualidade dos alimentos que colocam no prato, mas ainda existe um obstáculo importante: entender o que realmente é um produto ultraprocessado.
Foi com esse desafio em mente que nasceu o Programa Non-UPF, iniciativa liderada por Melissa Halas, que busca oferecer mais clareza sobre o tema.
“Nosso objetivo é ajudar os americanos a desvendar a confusão em torno da rotulagem de alimentos e fornecer orientações claras para alimentos menos processados”, explicou Halas. “Com um selo de certificação confiável, os consumidores podem comprar com mais segurança e apoiar marcas comprometidas com a redução dos ultraprocessados no mercado.”
Segundo pesquisa da Food Integrity Collective, responsável pelos selos Non-GMO e Non-UPF, cerca de 70% dos consumidores americanos afirmam tentar evitar alimentos ultraprocessados. No entanto, apenas 37% dizem estar bem informados sobre o tema — um sinal de que ainda há muito espaço para educação e transparência.
Um selo para orientar escolhas
A proposta do selo Non-UPF é preencher essa lacuna, guiando o consumidor em direção a alimentos mais naturais. O sistema se baseia na classificação Nova, criada por pesquisadores brasileiros da USP, que categoriza os alimentos em quatro níveis conforme o grau de processamento.
Nesse modelo, entram como ultraprocessados itens industrializados que contêm aditivos ou ingredientes pouco usados na cozinha tradicional — como pães de produção em massa, bolachas recheadas e sobremesas embaladas.
Debate e desafios
Mesmo com a popularização do tema, ainda não há consenso sobre o que, de fato, define um alimento ultraprocessado. Órgãos reguladores e cientistas discutem se essa categoria deve englobar produtos como iogurtes, barras de proteína ou bebidas vegetais, que passam por processos industriais, mas ainda oferecem benefícios nutricionais.
Nos Estados Unidos, a FDA deu início à criação de uma definição oficial de “ultraprocessado”. Já a Califórnia saiu na frente e se tornou o primeiro estado a adotar uma definição própria, que servirá de base para a proibição de alimentos ultraprocessados nas escolas.
O avanço dessas discussões pode abrir caminho para novas regulamentações e, ao mesmo tempo, influenciar o comportamento de marcas e consumidores em outros países — inclusive no Brasil.
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Fonte: Food Dive







