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Redes chinesas de foodservice avançam nos EUA

A relação econômica entre Estados Unidos e China continua marcada por tensões, mas isso não tem impedido um movimento crescente — e estratégico — de marcas chinesas de alimentação e bebidas rumo ao mercado americano. Com a concorrência cada vez mais acirrada dentro de casa, redes de chá, cafeterias, fast-foods e restaurantes tradicionais têm encontrado nos EUA um terreno fértil para crescer.

Lojas de chá com coberturas cremosas, cafeterias de grande escala e operações de frango frito começaram a surgir em cidades como Nova York, Los Angeles e outras regiões da Califórnia. Para muitas dessas empresas, a expansão internacional tornou-se uma resposta direta à saturação do mercado chinês.

Por que as marcas chinesas estão olhando para os EUA

A desaceleração econômica na China, combinada ao excesso de estabelecimentos de alimentação, tem pressionado a indústria local. Já existem três vezes mais negócios de foodservice per capita no país do que nos Estados Unidos. E metade dos novos restaurantes fecha em até um ano.

Nesse cenário, grandes redes enxergam o mercado americano como uma alternativa mais estável e madura. Segundo especialistas, os EUA são o único mercado com escala comparável à China — e isso ajuda a explicar o avanço acelerado.

Redes como HeyTea, Chagee e Naisnow já inauguraram unidades em pontos estratégicos — como a Times Square — e sinalizam planos ambiciosos. A Naisnow, por exemplo, projeta chegar a 500 lojas nos próximos anos. A Luckin Coffee também já instalou diversos pontos em Manhattan.

No fast-food, a Wallace, que tem mais de 20 mil lojas na China, abriu sua primeira unidade na Califórnia e planeja multiplicar a presença até 2026. Já a tradicional Haidilao, conhecida pelo hot pot e pelo serviço altamente personalizado, revisitou estratégias e ajustou cardápio, atendimento e comunicação para se conectar melhor ao público americano.

O desafio da adaptação

A chegada aos EUA não é simples. As marcas chinesas precisam equilibrar identidade, geopolítica e preferências locais. Isso envolve desde decisões sobre cardápio até mudanças sutis no serviço.

Na Wallace, o sanduíche padrão — com alface e maionese — foi reformulado. Nos EUA, a rede adicionou picles e ajustou o nível de sal para agradar ao gosto local. Na Haidilao, o serviço extremamente atencioso, visto como parte da experiência na China, precisou ser moderado, já que muitos clientes americanos o interpretaram como invasivo.

Há também um esforço para comunicar melhor o ritual do hot pot, além de adaptar níveis de pimenta e ampliar opções de carne bovina. Essas mudanças ajudaram a marca a ganhar visibilidade, incluindo uma aparição em série de TV americana.

O contraste com marcas americanas na China

Enquanto redes chinesas avançam nos EUA, algumas gigantes americanas recuam do mercado chinês. A Starbucks, por exemplo, vendeu participação majoritária de suas operações para um fundo local. O Burger King também passou o controle para um investidor chinês.

Esse movimento duplo revela como o cenário tem mudado: se antes as marcas americanas eram protagonistas da expansão global no setor de alimentação, agora empresas chinesas começam a ocupar esse espaço.

O que esperar daqui para frente

Com cardápios ajustados, preços competitivos e estratégias mais sensíveis aos hábitos locais, as marcas chinesas vêm sendo bem recebidas pelo público americano. Investidores do setor acreditam que, apesar do ambiente político desafiador, o foodservice ainda é um dos poucos campos de troca aberta entre os dois países.

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Fonte: Infomoney

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