A PepsiCo iniciou um amplo movimento de reestruturação nos Estados Unidos, combinando corte de produtos, redução de preços e demissões, em um acordo firmado com a gestora Elliott Investment Management. A fabricante de marcas como Doritos, Cheetos e Mountain Dew busca recuperar crescimento, simplificar sua operação e reconquistar investidores.
Segundo a Bloomberg, o plano prevê reduzir em 20% o portfólio no mercado norte-americano e ajustar os preços de suas principais marcas, apoiada por ganhos de produtividade e cortes de custos.
Pressão por resultados e foco em eficiência
A Elliott, que adquiriu cerca de US$ 4 bilhões em ações da companhia no início do ano, vinha cobrando mudanças estratégicas, especialmente diante da queda de participação no setor de bebidas e do portfólio considerado complexo demais.
Durante teleconferência com analistas, o CFO Steve Schmitt foi direto: a PepsiCo não está operando em “modo business as usual”. A empresa projeta para 2026 um crescimento orgânico entre 2% e 4%, dentro do intervalo esperado pelo mercado, e aposta que preços mais competitivos possam ampliar volumes.
O CEO Ramon Laguarta reforçou que o ganho de eficiência permitirá reinvestir valor diretamente no consumidor, com testes de preços mais baixos já em andamento.
Portfólio mais saudável e simplificado
O movimento acompanha tendências já observadas no mercado americano e que têm forte conexão com debates recentes no Portal Foodbiz: a busca do consumidor por propostas mais limpas, nutritivas e alinhadas a um estilo de vida equilibrado.
A empresa acelerará o lançamento de produtos:
- com mais proteína e fibra;
- sem corantes ou ingredientes artificiais;
- com menos açúcar.
Doritos e Cheetos ganharão versões “naked”, sem as cores vibrantes tradicionais; Lay’s foi reformulada com uso exclusivo de corantes naturais. Essa linha mais saudável continuará a se expandir nos próximos meses.
Impacto organizacional
Além das mudanças no portfólio e na precificação, a PepsiCo também vem ajustando sua estrutura interna. A empresa orientou parte dos colaboradores a trabalharem remotamente nesta semana nos EUA, prática comum antes de anúncios de cortes.
Em comunicado interno, Jennifer Wells, líder de pessoas para a América do Norte, informou que a companhia fará “mudanças estruturais” que afetarão alguns cargos. Em novembro, a PepsiCo já havia anunciado o fechamento de uma unidade da Frito-Lay na Flórida, com mais de 450 demissões.
Relação com investidores segue ativa
Mesmo sem ocupar cadeira no conselho, a Elliott continuará envolvida no processo. Para a gestora, o plano de reestruturação deve impulsionar receita e lucratividade no médio prazo.
A PepsiCo, por sua vez, destaca que a Frito-Lay América do Norte já mostra sinais de melhora ao longo do ano e que a atualização do portfólio está acontecendo de forma acelerada.
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Fonte: O Globo







