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Uso de Ozempic e Wegovy já muda o consumo alimentar nos EUA, mostra estudo

O avanço de medicamentos como Ozempic e Wegovy, usados no tratamento de diabetes e no controle do peso, começa a gerar efeitos que vão além da saúde. Um novo estudo indica que o uso desses fármacos está associado a uma redução consistente nos gastos com alimentação nos Estados Unidos, tanto em supermercados quanto em restaurantes.

A pesquisa, publicada em dezembro de 2025 no Journal of Marketing Research, foi conduzida por pesquisadores da Universidade Cornell e analisou dados reais de compras de milhares de domicílios americanos ao longo de vários meses.

Menos compras no mercado e menos refeições fora de casa

Seis meses após o início do uso de medicamentos da classe GLP-1, os domicílios analisados reduziram os gastos com supermercados em média 5,3%. Entre famílias de renda mais alta, essa queda passou de 8%.

O impacto também aparece no consumo fora do lar. As despesas em restaurantes de serviço rápido — como fast-foods e cafeterias — caíram cerca de 8%. Entre os usuários que mantiveram o tratamento, a redução nos gastos com alimentação persistiu por pelo menos um ano, ainda que com perda gradual de intensidade ao longo do tempo.

Segundo a professora Sylvia Hristakeva, uma das autoras do estudo, as mudanças são mais evidentes nos primeiros meses após o início do uso do medicamento. Após a interrupção, os padrões de consumo tendem a se aproximar novamente do comportamento anterior.

Dados reais reforçam o impacto observado

Diferentemente de estudos baseados apenas em relatos dos consumidores, a pesquisa utilizou registros reais de transações, fornecidos pela empresa Numerator. A base acompanha compras em supermercados e restaurantes de aproximadamente 150 mil domicílios nos Estados Unidos, considerados representativos da população.

Esses dados foram cruzados com questionários periódicos, nos quais os participantes informavam se alguém da casa utilizava medicamentos GLP-1, quando o uso começou e qual era o objetivo do tratamento. A metodologia permitiu comparar lares usuários e não usuários dos medicamentos, isolando o efeito direto do início da medicação sobre o consumo alimentar.

Lanches e ultraprocessados lideram as quedas

As maiores reduções nos gastos ocorreram em categorias associadas a consumo por impulso. As compras de salgadinhos caíram cerca de 10%, com quedas semelhantes em doces, biscoitos e produtos de panificação. Itens básicos como pão, carnes e ovos também registraram retração, embora em menor proporção.

Algumas poucas categorias apresentaram crescimento, como iogurtes, frutas frescas, barras nutricionais e snacks de carne. Ainda assim, os aumentos foram modestos quando comparados à redução geral do volume de alimentos adquiridos.

“O padrão predominante é a diminuição do volume total de alimentos comprados. Apenas algumas categorias crescem, e em escala bem menor”, aponta Hristakeva.

O que o foodservice pode aprender com esse movimento

Caso o uso de medicamentos GLP-1 continue avançando, o estudo sugere que indústria de alimentos, redes de restaurantes e operadores de foodservice precisarão se adaptar a um consumidor que compra menos, especialmente produtos ultraprocessados e refeições rápidas.


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Fonte: Metrópoles

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