O que começou como uma dor pessoal virou uma das foodtechs mais relevantes do país. Fundada em 2016, a Liv Up nasceu da inquietação de Victor Santos — hoje CEO da companhia — diante da dificuldade de encontrar refeições práticas que não abrissem mão de ingredientes frescos e alimentação equilibrada. À época, o mercado de congelados ainda era dominado por ultraprocessados, obrigando o consumidor a escolher entre conveniência e saúde.
Segundo reportagem da Forbes Brasil, a proposta da Liv Up foi clara desde o início: oferecer comida “de verdade”, congelada, com porções balanceadas, ingredientes naturais e preço acessível, vendida diretamente ao consumidor. Uma ideia simples, mas nada óbvia há quase dez anos.
Mesmo sem experiência prévia no setor de alimentação, Victor se uniu a Henrique Castellani para tirar o projeto do papel. Com formação em engenharia, os fundadores apostaram em processos, eficiência operacional e tecnologia para escalar algo que, à primeira vista, parecia difícil: comida artesanal em larga escala.
A aposta atraiu investidores relevantes. Ao longo de diferentes rodadas, a empresa levantou cerca de R$ 350 milhões, com fundos como Kaszek, Globo Ventures e Spectra. Os recursos foram direcionados principalmente para estrutura produtiva, logística própria e tecnologia — pilares que hoje sustentam a operação em cerca de 200 cidades brasileiras.
Os números mostram a velocidade do crescimento. A Liv Up atingiu o primeiro milhão de faturamento já no primeiro ano. Em 2020, chegou à casa dos R$ 100 milhões. Em 2025, a receita ficou em torno de R$ 270 milhões, acima das projeções iniciais. A meta agora é fechar 2026 com R$ 450 milhões e, no horizonte, alcançar o primeiro bilhão em faturamento até o fim da década.
Em entrevista à Forbes Brasil, Victor Santos afirma que alimentação saudável, praticidade e custo-benefício se provaram tendências estruturais. Para ele, o comportamento do consumidor apenas confirmou uma leitura feita lá atrás — algo que dialoga diretamente com análises recorrentes do Portal Foodbiz sobre mudanças de hábito, conveniência e digitalização no foodservice.
Nem tudo, porém, foi linear. Entre 2022 e 2023, a empresa enfrentou seu período mais desafiador, em meio ao cenário de juros altos e escassez de capital para empresas de crescimento acelerado. Foi necessário rever prioridades, enxugar a operação e focar no core do negócio. O resultado veio em 2024, com a conquista do breakeven e uma estrutura mais eficiente.
Hoje, a Liv Up vive uma nova fase de expansão. Além de ampliar a presença geográfica — com crescimento fora do eixo Rio–São Paulo —, a empresa diversificou o portfólio, lançou linhas voltadas para performance esportiva e emagrecimento e iniciou a entrada no varejo físico, apostando em uma estratégia omnicanal.
Para o foodservice, o case da Liv Up reforça uma mensagem clara: saúde, conveniência e eficiência operacional não são modismos, mas vetores de crescimento de longo prazo. Uma leitura que ajuda a entender não só o sucesso da foodtech, mas também os caminhos que o setor deve seguir nos próximos anos.
Fonte: Forbes Brasil | Curadoria e análise: Portal Foodbiz







