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Ovos de Páscoa devem seguir mais caros em 2026, apesar da queda do cacau

Quem já começou a pesquisar preços para a Páscoa de 2026 percebe que os ovos de chocolate continuam longe de serem baratos. Mesmo com a recente queda nas cotações do cacau no mercado internacional, fatores estruturais da cadeia seguem pressionando os preços no varejo.

A explicação começa no campo. Entre 2023 e 2024, eventos climáticos extremos afetaram a produção global de cacau, reduzindo a oferta e elevando significativamente o preço da matéria-prima. Com o desequilíbrio entre oferta e demanda, a indústria passou a pagar mais caro pelo cacau, custo que acabou sendo repassado ao consumidor final.

Nos últimos meses, os preços da tonelada de cacau voltaram a oscilar entre US$ 3 mil e US$ 5 mil na Bolsa de Nova York, movimento que trouxe algum alívio para fabricantes de chocolate no Brasil. Empresas do setor esperam recompor margens ao longo de 2026, o que pode refletir preços mais equilibrados no varejo apenas no segundo semestre e, de forma mais consistente, a partir de 2027.

Para a Páscoa de 2026, no entanto, supermercados ainda trabalham com estoques produzidos e adquiridos quando o cacau estava em patamares mais elevados, o que limita uma redução imediata de preços.

Dados da ICCO (Organização Internacional do Cacau) indicam um superávit global estimado em cerca de 200 mil toneladas até o fim de 2026, sinalizando uma reação da oferta após o choque de preços dos últimos anos. Ao mesmo tempo, o consumo segue pressionado. A moagem de cacau — indicador de demanda — caiu ao longo de 2025, refletindo tanto os altos custos quanto a redução do consumo em mercados maduros.

Na Europa, maior mercado consumidor do mundo, a moagem recuou 8,3% no quarto trimestre, para 304,47 mil toneladas, a sexta queda consecutiva e bem acima das projeções do mercado. A região responde por cerca de 40% a 45% do consumo global de cacau.

Apesar de sinais mais positivos do lado da oferta, o cenário ainda inspira cautela. “Mesmo com uma melhora momentânea, extremos climáticos continuam impactando fortemente a cultura do cacau, e esse quadro pode mudar rapidamente”, afirmou à CNN Agro Anna Paula Losi, presidente executiva da AIPC (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau).

Para 2026, o desafio será encontrar um ponto de equilíbrio. “Se o preço cair demais, há desestímulo à produção. A oferta diminui, o preço volta a subir e o consumo cai novamente. É um ciclo difícil de ajustar”, avalia Losi.

No Brasil, a indústria de chocolate segue sensível às oscilações internacionais, já que parte relevante da amêndoa utilizada ainda é importada. Com o mercado em fase de ajuste, a expectativa para a Páscoa de 2026 é menos tensa do que nos anos anteriores, mas longe de ser confortável.

Enquanto isso, traders aguardam dados de moagem da América do Norte e da Ásia. Na África Ocidental, especialmente na Costa do Marfim e em Gana, o clima mais favorável deve impulsionar as colheitas entre fevereiro e março, com expectativa de melhora também na qualidade da safra. A floração dos cacaueiros já começou, sinal positivo para a colheita intermediária prevista entre abril e setembro.

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Matéria originalmente publicada pela CNN Brasil

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