O frozen yogurt foi febre no Brasil no início da década passada. Ocupou pontos nobres em shoppings e ruas comerciais, atraiu investidores e se tornou símbolo de um consumo urbano aspiracional. Em poucos anos, porém, perdeu força e praticamente saiu do radar do consumidor.
Agora, mais de uma década depois, a categoria volta a ganhar tração. Não como repetição de um modismo, mas como parte de um movimento mais amplo de transformação do consumo, que combina equilíbrio, experiência e lifestyle — uma dinâmica já observada em mercados como o dos Estados Unidos.
É nesse contexto que a The Best Açaí lança o Frozen Yogurt em edição limitada, apostando na sazonalidade como estratégia para ampliar ocasiões de consumo, diversificar o portfólio e fortalecer seu posicionamento de inovação. A novidade chega às lojas em quatro sabores: iogurte com pitaya, maçã verde, morango e maracujá, combinando refrescância, perfil frutado e leveza.
Segundo Sergio Kendy, cofundador e CEO da rede, a decisão é resultado de uma leitura estratégica do mercado. “O que nos fez olhar novamente para essa categoria foi uma análise mais ampla, especialmente a partir do nosso projeto de expansão internacional. Em visitas recentes aos EUA, percebemos que produtos refrescantes, com apelo de indulgência equilibrada, voltaram a ganhar força. Isso nos levou a fazer uma releitura do frozen yogurt, combinando-o com sorbet e trazendo uma proposta conectada ao verão e à experiência”, afirmou em entrevista ao Mundo do Marketing.
Estratégia de crescimento e aumento de ticket
O lançamento integra o plano de crescimento da marca para 2026, que tem como principais alavancas o aumento do ticket médio, a frequência de visitas e o reforço da percepção de marca inovadora.
No modelo self-service, cada nova opção no portfólio amplia o potencial de consumo por visita. “Quando inserimos uma novidade, estimulamos a experimentação. Muitas vezes, o cliente que consumiria três porções passa a incluir uma quarta para provar o lançamento. Isso impacta diretamente o ticket médio”, explica Kendy.
Além disso, o formato de edição limitada cria uma nova ocasião de consumo. A lógica da escassez ativa o senso de urgência e incentiva o retorno ao ponto de venda. “O cliente volta especificamente para experimentar antes que o sabor saia de linha. Isso gera recorrência adicional e mantém a marca em evidência ao longo do ano”, diz o executivo.
Para uma rede que busca ampliar sua presença nacional e acelerar a expansão internacional, inovação constante torna-se parte central da estratégia. “Precisamos ser percebidos como uma marca dinâmica, conectada às tendências globais e capaz de equilibrar indulgência, frescor e experiência.”
O aprendizado do boom dos anos 2010
Entre 2010 e 2011, o frozen yogurt viveu um boom no Brasil. Redes como Yogoberry, Yoggi, Yoguland e My Frozzzen expandiram rapidamente, apoiadas no modelo de autosserviço, na personalização com toppings e na narrativa de indulgência com apelo de saudabilidade.
A saturação acelerada do mercado, somada à perda do efeito novidade e à pressão por rentabilidade, levou a uma retração igualmente rápida. O ciclo curto deixou aprendizados importantes sobre timing, diferenciação e sustentabilidade de categorias no foodservice.
Ao optar por relançar o produto em formato sazonal, a The Best Açaí sinaliza uma abordagem mais estratégica: testar tendências, validar aceitação e ajustar o portfólio com maior agilidade e menor risco.
“Acreditamos no poder da sazonalidade. Ela desperta curiosidade, gera senso de urgência e fortalece o fluxo. Historicamente, quando um sabor sazonal se torna campeão de vendas, pode ser incorporado de forma permanente ao cardápio — e essa possibilidade existe também agora”, afirma Kendy.
Entre indulgência e saudabilidade
O retorno do frozen yogurt também acompanha a evolução do conceito de saudabilidade no Brasil. Se antes o discurso estava centrado na restrição, hoje o consumidor busca equilíbrio entre prazer e bem-estar.
“Nossa proposta não é ser uma marca funcional ou restritiva. Queremos oferecer produtos saudáveis e extremamente gostosos ao mesmo tempo. A indulgência precisa ser equilibrada, não eliminada”, afirma o CEO.
Essa lógica orienta tanto os lançamentos zero açúcar e sem lactose quanto as opções à base de frutas e sorbets. “O consumidor precisa desejar o produto. Se ele não for indulgente, não gera vontade real de consumo. Nosso papel é transformar essa indulgência em algo mais equilibrado, sem perder a experiência sensorial.”
Em um foodservice cada vez mais competitivo, inovação de portfólio deixa de ser apenas novidade e passa a ser ferramenta de fidelização. Ao criar expectativa e oferecer produtos por tempo limitado, a marca se posiciona como destino de descoberta.
Mais do que um novo item no cardápio, o frozen yogurt passa a integrar uma estratégia mais ampla de construção de marca — conectando tendências globais, gestão de desejo e crescimento sustentável.
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Fonte: Mundo Marketing







