A Ingredion está ampliando sua aposta no Brasil — e o movimento passa diretamente pela mudança no consumo de açúcar na indústria de alimentos.
A companhia anunciou a expansão da produção de polióis na fábrica de Mogi Guaçu (SP), com a meta de dobrar a capacidade instalada. A estratégia acompanha a crescente demanda por produtos com menor teor de açúcar e melhor perfil nutricional, uma tendência que vem ganhando força no foodservice e na indústria como um todo.
O plano envolve o uso intensificado do milho como matéria-prima. A partir dele, são produzidos polióis como sorbitol e maltitol — carboidratos com menor impacto glicêmico e calórico, usados como substitutos do açúcar em diferentes aplicações.
Com a expansão, o sorbitol deve representar cerca de 67% da produção da planta, enquanto o maltitol líquido ficará com os 33% restantes. O investimento, financiado com recursos próprios, é o maior da Ingredion no Brasil nos últimos 14 anos.
Mais do que ampliar capacidade, o movimento reposiciona o país dentro da operação global da empresa. A unidade de Mogi Guaçu passa a ser a base de produção de polióis para toda a América Latina, atendendo mercados como México, região andina e Cone Sul.
Hoje, a operação brasileira já movimenta cerca de US$ 550 milhões em receita e ganha ainda mais relevância com esse novo papel exportador.
O contexto ajuda a explicar a escolha: o Brasil combina escala de produção agrícola, qualidade de matéria-prima e eficiência logística. O milho — principal insumo dos polióis — é amplamente produzido em estados como Mato Grosso e Paraná, o que reduz custos e aumenta a previsibilidade da cadeia.
Além disso, a produção local fortalece o abastecimento, reduz riscos e melhora o nível de serviço, pontos cada vez mais críticos para a indústria de alimentos e bebidas.
Os polióis têm aplicações diversas: vão de chocolates sem açúcar a produtos de panificação e itens de higiene bucal. No foodservice, entram como alternativa para desenvolver cardápios com apelo mais saudável sem comprometer textura, sabor e shelf life.
O movimento da Ingredion sinaliza um caminho claro: a redução de açúcar deixou de ser apenas tendência e passa a orientar decisões industriais, investimentos e posicionamento de mercado — algo que o setor deve acompanhar de perto.
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Fonte: Portal Tela








