O governo federal finaliza um novo pacote voltado à redução do endividamento das famílias — um tema que segue pressionando o consumo e impactando diretamente o desempenho do foodservice. A proposta, que deve ser anunciada nos próximos dias, combina mecanismos de renegociação de dívidas, incentivos financeiros e até possíveis limitações ao uso de plataformas de apostas.
Entre os principais pontos em discussão está a concessão de garantias da União para facilitar a renegociação de débitos. A ideia é reduzir o risco para os bancos e, com isso, viabilizar taxas de juros mais baixas para consumidores inadimplentes ou com alto comprometimento de renda.
O programa deve ter alcance amplo: além de famílias de baixa renda em atraso, também pretende atender consumidores que, mesmo adimplentes, já destinam uma fatia significativa da renda ao pagamento de dívidas. Outro eixo previsto envolve a renegociação de débitos de micro, pequenas e médias empresas — um movimento relevante para operadores do foodservice, especialmente os independentes.
Para sustentar o modelo, o governo avalia reforçar o Fundo Garantidor de Operações (FGO), criado durante a pandemia. Uma das alternativas em análise é o uso de recursos esquecidos no sistema financeiro, estimados em mais de R$ 10 bilhões. Ainda não há definição final sobre a origem dos aportes.
O histórico recente mostra o desafio: o programa Desenrola, implementado entre 2023 e 2024, renegociou cerca de R$ 53 bilhões em dívidas, alcançando 15 milhões de pessoas. Ainda assim, o nível de endividamento continuou elevado. Em janeiro, o comprometimento da renda das famílias com dívidas atingiu 29,3%, um dos maiores patamares da série histórica do Banco Central.
Outro ponto que entrou no radar do governo é o impacto das apostas online. A proposta em discussão prevê restringir o acesso a bets para quem aderir ao programa de renegociação, como forma de evitar novo endividamento.
Também está em avaliação a liberação de recursos do FGTS para quitação de dívidas, além de medidas para reduzir os juros em linhas de crédito consignado no setor privado.
Para o foodservice, o tema é estratégico. O alto nível de endividamento limita o consumo fora do lar e pressiona o ticket médio, especialmente em segmentos mais sensíveis à renda. Ao mesmo tempo, iniciativas que ampliem o acesso ao crédito ou aliviem o orçamento das famílias podem gerar efeitos indiretos na retomada da demanda.
Conteúdo publicado pela Infomoney e adaptado para o portal foodbiz








