FoodBiz

Sodexo perde tração nos EUA e revisão de metas acende alerta no foodservice global

A Sodexo revisou para baixo suas projeções para 2026 depois de um desempenho abaixo do esperado na América do Norte — justamente o principal mercado da companhia. O movimento expõe uma combinação de perda de competitividade, falhas operacionais e pressão crescente de concorrentes, com impacto direto nos resultados e na confiança dos investidores.

A região, historicamente um dos pilares do grupo, passou a concentrar os maiores sinais de fragilidade. No primeiro semestre fiscal, a receita global caiu 3,7%, somando 12,02 bilhões de euros — cerca de 60 milhões abaixo das expectativas do mercado.

Mais do que fatores externos, o próprio grupo reconhece dificuldades internas, especialmente na operação dos Estados Unidos, que afetaram a capacidade de gerar novos contratos e sustentar o ritmo de crescimento.

Concorrência avança enquanto a Sodexo perde espaço

O enfraquecimento da Sodexo ocorre em paralelo ao avanço de players como a Aramark, que vem ganhando participação no mercado norte-americano. A leitura de analistas é clara: a empresa demorou para reagir às mudanças competitivas.

Na prática, isso se traduziu em perda líquida de novos negócios — um sinal relevante de deterioração operacional.

O reflexo aparece no mercado financeiro. Nos últimos dois anos, as ações da Sodexo acumulam queda próxima de 40%, enquanto concorrentes registraram valorização superior a 30% no mesmo período.

Problemas internos ampliam o impacto da crise

O CEO Thierry Delaporte foi direto ao reconhecer que os desafios vão além do ambiente competitivo. Entre os principais gargalos identificados estão:

  • Baixa intensidade comercial
  • Inconsistência na execução
  • Lentidão na tomada de decisão
  • Subinvestimento em áreas estratégicas, incluindo o negócio de benefícios, hoje operado sob a marca Pluxee

Esses fatores ajudam a explicar por que a companhia não conseguiu responder com agilidade às pressões do mercado norte-americano.

Revisão de metas confirma deterioração

Com o cenário adverso, a Sodexo passou a projetar um crescimento orgânico de receita entre 0,5% e 1% em 2026 — abaixo da estimativa anterior, que variava entre 1,5% e 2,5%.

A margem operacional também deve recuar, ficando entre 3,2% e 3,4%, distante dos 4,7% registrados no último ano.

Os números indicam que o problema não é pontual. A América do Norte deixou de ser motor de crescimento e passou a limitar o desempenho global da empresa.

Mercado reage à perda de previsibilidade

A resposta dos investidores foi imediata: as ações da Sodexo caíram 13% após o anúncio das novas projeções.

Para o mercado, o corte mais agressivo do que o esperado sinaliza uma perda de visibilidade sobre os resultados — e levanta dúvidas sobre o tempo necessário para uma recuperação consistente.

O que está em jogo agora

A crise na América do Norte coloca a gestão de Delaporte diante de um desafio mais profundo: reconstruir a operação em seu principal mercado.

Isso deve passar por aumento de investimentos, revisão de contratos e ajustes no modelo operacional. Mais do que recalibrar metas, a Sodexo precisa recuperar competitividade onde hoje mais perde espaço.

.
Fonte: Economics News Brasil

Compartilhar

Antes de sair: quer receber os principais insights do foodservice?

Leva 10 segundos. E você passa a acompanhar o que os líderes do setor estão vendo antes.