A Alfama, empresa especializada no processamento de proteína animal para o foodservice, acaba de dar um passo importante na sua estratégia de crescimento. Com investimento de R$ 60 milhões, a companhia inaugurou uma nova fábrica em Louveira (SP) e sinaliza uma mudança clara de posicionamento: sair da lógica de commodity e avançar como fornecedora de soluções para o setor.
O movimento acompanha uma transformação que já vinha sendo discutida no mercado e também em análises do Portal Foodbiz: operadores não querem apenas insumos, mas produtos que simplifiquem a operação e ajudem a proteger margens.
Da proteína ao produto pronto para operar
A nova planta foi desenhada para produzir carnes porcionadas — cortes bovinos e de frango com peso e espessura padronizados. Na prática, isso significa menos variabilidade na cozinha, menos desperdício e mais previsibilidade de custo para bares, restaurantes e redes.
A proposta é clara: transferir parte da complexidade da operação para a indústria. Entre os produtos estão bifes, cubos e iscas congelados individualmente (IQF), pensados para facilitar o dia a dia de cozinhas que lidam com escassez de mão de obra e alta pressão por eficiência.
Esse tipo de solução conversa diretamente com uma dor crescente do setor: fazer mais com menos gente e com custos mais controlados.
Crescimento acelerado e foco em valor
A expectativa da Alfama é que a nova linha de produtos in natura porcionados gere R$ 120 milhões em faturamento já em 2026, contribuindo para uma meta total de R$ 400 milhões.
Nos últimos anos, a empresa já vinha em ritmo acelerado, com crescimento médio de 40% e receita de R$ 255 milhões, sustentada principalmente pela unidade de Cascavel (PR).
O diferencial está no modelo: em vez de depender apenas do preço da commodity, a empresa opera com margens definidas e repasse de custos, o que ajuda a proteger rentabilidade mesmo em cenários de alta do boi gordo.
Distribuição como motor de escala
Outro ponto-chave da estratégia é a capilaridade. A Alfama construiu uma rede com 110 distribuidores e atende cerca de 30 mil clientes por mês.
Hoje, entre 80% e 85% da receita vem desse canal, com foco em operadores independentes — um público altamente pulverizado, mas com grande potencial de escala.
Esse modelo permite pedidos menores, entregas mais rápidas e maior penetração em um mercado com mais de 2,2 milhões de estabelecimentos no Brasil.
Internacionalização no radar
A nova fábrica também marca o início de um movimento fora do país. A unidade já nasce habilitada para exportação, com foco inicial na América Latina.
A lógica é replicar um modelo que funcionou no Brasil em mercados com dinâmica semelhante — proximidade geográfica, foodservice fragmentado e demanda crescente por padronização.
Mais transparência e acesso a capital
Além da expansão operacional, a empresa prepara um movimento financeiro relevante: a listagem na CVM na categoria B, prevista para julho.
Não se trata de um IPO, mas de um passo importante para aumentar transparência e abrir novas possibilidades de captação — algo que pode acelerar ainda mais a expansão.
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Conteúdo publicado pela Exame e adaptado pelo Portal Foodbiz







