Nem toda tendência nasce do novo. Algumas ganham força justamente quando revisitadas sob outra lente. É o caso do club sandwich — um clássico criado nos clubes privados dos Estados Unidos no fim do século XIX — que reaparece em 2026 com novo status: de comfort food a item de desejo em operações premium.
O movimento chama atenção no foodservice e já aparece em cardápios de bares, cafés, restaurantes e hotéis de alto padrão, inclusive no Brasil. Trata-se de um reposicionamento do produto dentro de uma lógica de consumo que combina nostalgia, estética e valor percebido — temas que vêm sendo acompanhados pelo Portal Foodbiz.
Tradicionalmente preparado com três fatias de pão tostado, frango em camadas e corte triangular preciso, o club sandwich sempre teve um apelo funcional elegante. Agora, essa base clássica serve como ponto de partida para releituras que dialogam com o comportamento atual do consumidor.
Em mercados como Nova York, chefs têm ajudado a reposicionar o sanduíche como item aspiracional. A influência chega rapidamente a cidades como São Paulo, onde diferentes perfis de operação adotam o produto com variações de preço e proposta.
No segmento premium, o Le Jardin, no Rosewood São Paulo, apresenta uma versão com frango orgânico e avocado por R$ 110. Já marcas mais acessíveis, como a Lanchonete da Cidade, trabalham o clássico em uma faixa intermediária, enquanto casas autorais exploram releituras com ingredientes e técnicas distintas.
É nesse ponto que o club sandwich se conecta com uma tendência mais ampla: a releitura de clássicos como estratégia de inovação. Ingredientes como salmão defumado, avocado com wasabi, ovo pochê, pães especiais e até versões com mandioca mostram como o prato se adapta a diferentes propostas sem perder sua identidade.
Outro fator-chave para o retorno do sanduíche está na sua força visual. A construção em camadas e o corte triangular criam um produto altamente “fotografável” — característica cada vez mais relevante em um cenário onde o digital influencia diretamente o consumo. O club sandwich funciona bem tanto no prato quanto no feed.
Esse tipo de movimento revela um comportamento interessante: diante do excesso de novidades, o consumidor passa a valorizar referências conhecidas, mas com uma nova interpretação. Há um componente de conforto emocional, aliado à curiosidade por versões mais sofisticadas.
Para operadores, o insight é claro: clássicos bem executados e reposicionados podem gerar valor, engajamento e margem — especialmente quando conectados a storytelling, estética e experiência.
Fonte: Exame







