Pesquisadores da Unicamp estão avançando no aproveitamento de resíduos da indústria de alimentos ao transformar o bagaço do maracujá em ingredientes de maior valor agregado.
O estudo, conduzido na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), identificou nas sementes da fruta compostos com potencial antioxidante e aplicação tanto na indústria alimentícia quanto na de cosméticos.
O ponto de partida foi o alto volume de descarte no processamento do maracujá. Hoje, cerca de 70% do fruto — composto por casca e sementes — não é aproveitado comercialmente. A pesquisa buscou justamente transformar esse resíduo em matéria-prima útil.
A partir desse material, os pesquisadores conseguiram extrair diferentes frações com propriedades relevantes. Entre elas, óleos ricos em ácidos graxos e compostos antioxidantes, como fenólicos e derivados da vitamina E.
Além do potencial funcional, o projeto também se destaca pelo método de extração. Em vez de solventes derivados do petróleo, comuns na indústria, a equipe desenvolveu um processo que utiliza dióxido de carbono em estado supercrítico, combinado com água e etanol — uma alternativa mais sustentável e com menor impacto ambiental.
O resultado são extratos com propriedades que podem ser aplicadas em diferentes produtos, desde alimentos com apelo funcional até itens voltados à saúde e bem-estar.
O caso reforça uma tendência crescente na indústria: o uso de subprodutos como fonte de inovação, reduzindo desperdícios e ampliando o valor ao longo da cadeia.
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Fonte: Época Negócios







