Com a celebração do Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal (DII), o olhar se volta para a importância de estratégias que ajudem no manejo e prevenção dessa condição. A alimentação, em particular, assume um papel de grande relevância, atuando tanto como fator de risco quanto como pilar fundamental na prevenção e tratamento. Adrielle Lopes, coordenadora do curso de Nutrição do Centro Universitário Módulo, destaca como as escolhas alimentares podem impactar diretamente a saúde intestinal.
“A origem da doença inflamatória intestinal é complexa e multifatorial, mas há uma forte associação entre o padrão alimentar ocidental e um maior risco de desenvolvimento da doença”, explica Adrielle. Segundo a docente, o alto consumo de ultraprocessados, gorduras saturadas e açúcares refinados, somado à baixa ingestão de fibras, favorece a disbiose intestinal, aumenta a permeabilidade e ativa vias pró-inflamatórias no organismo.
Por outro lado, uma alimentação equilibrada, rica em fibras e vegetais, atua como protetora da barreira intestinal. Adrielle ressalta que durante as crises da doença a terapia nutricional pode aliviar sintomas como diarreia, dor abdominal e fadiga. Já nos períodos de remissão, o objetivo é modular a microbiota, prevenir novas inflamações e corrigir deficiências nutricionais comuns, como baixos níveis de ferro, vitamina B12 e vitamina D.
Apesar da individualidade de cada organismo, com variações na reação a diferentes alimentos, a docente aponta grupos que, quando consumidos em excesso ou de forma habitual, podem comprometer a saúde intestinal e aumentar a inflamação sistêmica. Entre eles estão:
- Alimentos ultraprocessados: refrigerantes, salgadinhos, embutidos e refeições prontas.
- Carnes processadas e embutidos: salsicha, presunto, bacon e linguiça.
- Açúcares refinados: doces, bebidas açucaradas e sobremesas industrializadas.
- Gorduras trans e excesso de gordura saturada: presentes em frituras e fast food.
- Consumo de bebidas alcoólicas.
Para uma alimentação com potencial anti-inflamatório, a nutricionista sugere priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, além de nutrientes que promovam uma microbiota saudável e auxiliem na modulação do sistema imunológico. São eles:
- Fibras: encontradas em aveia, frutas, legumes, verduras e leguminosas.
- Ômega-3: presente em peixes como salmão, sardinha, atum, além de chia e linhaça.
- Compostos antioxidantes: abundantes em frutas vermelhas, vegetais coloridos, azeite de oliva, cúrcuma e cacau.
- Alimentos probióticos: iogurte natural, kombucha e kefir.
“Nossa mensagem principal é que a alimentação é um pilar fundamental. Priorizar alimentos in natura, reduzir ultraprocessados, controlar a ingestão de açúcar e gordura, e planejar as refeições são passos práticos e eficazes”, afirma Adrielle. Ela ainda complementa que a hidratação adequada e a associação com atividades físicas, sono de qualidade, manejo do estresse e redução de álcool e tabagismo formam um conjunto essencial para a saúde geral e intestinal.







