A estratégia da Lindt & Sprüngli de repassar ao consumidor o aumento dos custos do cacau começa a gerar reflexos no desempenho da companhia no mercado financeiro. As ações da fabricante suíça acumulam queda de cerca de 15% no trimestre e caminham para registrar o pior desempenho trimestral em 17 anos.
A empresa, reconhecida por seu portfólio de chocolates premium, elevou os preços em quase 20% no último ano para compensar a disparada da commodity. No entanto, o movimento veio acompanhado de retração no volume de vendas, indicando maior resistência dos consumidores aos reajustes.
Em março, a Lindt também revisou para baixo sua projeção de crescimento orgânico das vendas para 2026, reduzindo a expectativa de 6%–8% para 4%–6%. A empresa atribuiu a mudança, entre outros fatores, ao aumento dos custos logísticos e de embalagens e à menor confiança dos consumidores nos Estados Unidos e na Europa.
Embora os contratos futuros do cacau tenham recuado cerca de 60% desde o pico registrado no fim de 2024, o mercado ainda convive com elevada volatilidade. A possibilidade de um novo episódio de El Niño e as incertezas sobre a próxima safra mantêm a pressão sobre a cadeia global do chocolate.
Para analistas, o posicionamento premium da Lindt continua sendo um diferencial competitivo, mas não elimina o impacto da sensibilidade do consumidor aos preços. Segundo avaliações do mercado, a companhia poderá precisar ajustar sua política de preços em algumas regiões para recuperar volumes e manter sua competitividade.
A própria Lindt informou que pretende reduzir preços em mercados como Suíça e Alemanha em determinados produtos a partir de 2026, embora ressalte que os efeitos da queda do cacau só devem ser sentidos a partir de 2027, em razão de sua estratégia de compras de longo prazo.
A análise completa sobre o desempenho da Lindt, o impacto da alta do cacau e as perspectivas para o mercado global de chocolates está disponível na Bloomberg Línea.







