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Mercado informal pode responder por mais da metade das canetas emagrecedoras

Levantamento da Scanntech, divulgado em reportagem de Lauro Jardim, do jornal O Globo, indica que o mercado paralelo de medicamentos à base de GLP-1 pode representar mais da metade do consumo no país e já influencia o comportamento de compra no varejo alimentar.

Mais da metade das canetas emagrecedoras (GLP-1) consumidas no Brasil pode estar sendo adquirida fora dos canais oficiais de venda, segundo um levantamento inédito da Scanntech divulgado em reportagem de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

A estimativa foi elaborada a partir da evolução das vendas de seringas de insulina nas farmácias, utilizadas como um indicador indireto do uso de medicamentos obtidos no mercado informal.

Ao considerar tanto o mercado formal quanto a estimativa das vendas paralelas, o estudo aponta que o consumo de GLP-1 cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Mudança no consumo afeta o varejo alimentar

Além da expansão do uso dos medicamentos, a pesquisa identificou impactos no comportamento de compra dos consumidores.

Segundo o levantamento, o uso das canetas emagrecedoras pode provocar uma redução anual de 0,49% no volume de alimentos vendidos em supermercados, sendo a categoria de bebidas a mais afetada, com queda estimada de 0,91%.

Entre os produtos com maior retração projetada estão:

  • Cerveja: -1,03%;
  • Petiscos: -0,82%;
  • Chocolates: -0,72%;
  • Biscoitos: -0,63%;
  • Refrigerantes: -0,55%.

Alimentos frescos e proteínas ganham espaço

Enquanto categorias tradicionalmente associadas ao consumo por impulso registram retração, outras apresentam crescimento.

O levantamento mostra aumento na procura por:

  • Alimentos frescos (+11,5%);
  • Produtos ligados à academia e bem-estar (+9,6%);
  • Suplementos proteicos (+9,1%);
  • Água com e sem gás (+7,9%);
  • Vitaminas e suplementos (+7,4%).

Segundo a pesquisa, 29% dos usuários afirmam ter perdido massa magra durante o tratamento, fator que ajuda a explicar o aumento da demanda por proteínas e suplementos.

Mercado informal chama atenção

A pesquisa, realizada com mais de dois mil brasileiros, mostra que 6% da população adulta já utiliza medicamentos da classe GLP-1. A maior concentração de usuários está entre mulheres de 25 a 34 anos, com renda mensal entre R$ 22 mil e R$ 32 mil.

Outro dado reforça a hipótese de expansão do mercado paralelo: 87,4% dos consumidores pagam o tratamento do próprio bolso, enquanto 72% desembolsam até R$ 600 por mês — valor inferior ao preço oficial praticado pelas principais marcas disponíveis nas farmácias.

Para o varejo alimentar e a indústria de alimentos e bebidas, o avanço dos medicamentos para perda de peso reforça uma transformação no padrão de consumo, com potencial para acelerar a demanda por produtos mais saudáveis, ricos em proteína e alinhados às novas preferências dos consumidores.

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