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Calor extremo desafia consumo de bebidas alcoólicas na Europa

As sucessivas ondas de calor registradas na Europa estão levando a indústria de bebidas alcoólicas a rever uma premissa histórica do setor: a de que temperaturas mais altas impulsionam automaticamente o consumo de cervejas, vinhos e destilados.

Segundo reportagem da Reuters, estudos recentes mostram que o efeito positivo do calor sobre as vendas tem um limite. A partir de aproximadamente 32°C, o consumo tende a desacelerar, à medida que o desconforto provocado pelas temperaturas extremas altera o comportamento dos consumidores.

Estudo aponta limite para o efeito do calor

Pesquisa conduzida por especialistas da Universidade da Califórnia, da ETH Zurich e da Universidade Estadual da Carolina do Norte analisou dados do varejo norte-americano entre 2006 e 2023 e concluiu que as vendas de bebidas alcoólicas crescem com a elevação da temperatura até cerca de 32°C.

Acima desse patamar, no entanto, o efeito se inverte. O calor intenso reduz a disposição para consumir bebidas alcoólicas e favorece mudanças nos hábitos de consumo.

De acordo com Marten Lodewijks, presidente da consultoria IWSR, o clima quente continua sendo um fator positivo para a categoria, mas existe um limite.

“De modo geral, o clima quente é bom para o consumo. Mas também há um limite máximo, além do qual o calor se torna simplesmente desconfortável”, afirmou à Reuters.

Mudanças climáticas impactam consumo e operação

A atual onda de calor na Europa, iniciada em junho, foi apontada como uma das mais intensas já registradas no continente. Além dos impactos sobre a saúde pública, o fenômeno também afeta a operação das empresas e o comportamento dos consumidores.

Em diversos países, autoridades de saúde recomendaram reduzir o consumo de álcool durante os períodos de calor extremo devido ao aumento do risco de desidratação. Em Paris, por exemplo, houve restrições temporárias à venda e ao consumo de bebidas alcoólicas em determinados locais.

Para Kristian Henningsen, diretor global de relações públicas da Carlsberg, há uma diferença importante entre dias quentes e temperaturas extremas.

Segundo o executivo, quando o calor se torna excessivo, muitas pessoas deixam de frequentar bares e restaurantes, preferindo permanecer em ambientes climatizados.

Cervejarias ampliam portfólio de bebidas

Diante desse cenário, grandes fabricantes vêm ampliando seus investimentos em bebidas de menor teor alcoólico, versões sem álcool e refrigerantes.

A própria Carlsberg afirma que trabalha para oferecer um portfólio mais diversificado, acompanhando mudanças no comportamento do consumidor e os efeitos cada vez mais frequentes dos eventos climáticos extremos.

Especialistas também alertam que as mudanças climáticas podem gerar impactos indiretos sobre o setor, como aumento dos custos agrícolas, pressão sobre matérias-primas e redução do poder de compra da população.

Segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, eventos de calor extremo deverão se tornar mais frequentes e intensos nas próximas décadas, exigindo adaptação por parte da indústria de bebidas.

Nesse contexto, além de influenciar o consumo, o clima passa a desempenhar um papel cada vez mais estratégico no planejamento comercial, na inovação de portfólio e nas projeções de demanda das empresas do setor.

Conteúdo adaptado de reportagem publicada pela Reuters.

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