Relatório indica que consumidores estão mais sensíveis ao custo-benefício, pressionando marcas a reforçarem a proposta de valor em um mercado de consumo desacelerado.
O aumento da preocupação com saúde, a popularização de medicamentos para perda de peso e as mudanças no comportamento das gerações mais jovens ajudam a explicar a desaceleração do consumo de bebidas alcoólicas. No entanto, um novo relatório da Deloitte aponta outro fator relevante: muitos consumidores já não enxergam que o preço das bebidas corresponde ao valor entregue.
Segundo análise divulgada pela consultoria, consumidores com perfil orientado ao custo-benefício — cerca de quatro em cada dez compradores — vêm reduzindo significativamente os gastos com bebidas alcoólicas, tanto para consumo em casa quanto em bares e restaurantes.
Consumidor busca mais valor pelo dinheiro
De acordo com a Deloitte, esse comportamento não está restrito às famílias de menor renda. Aproximadamente 25% dos consumidores com renda anual superior a US$ 200 mil também priorizam produtos que ofereçam melhor relação entre qualidade e preço.
A pesquisa mostra que esse grupo reduz entre 20% e 40% os gastos com bebidas para consumo doméstico e corta mais de 50% das despesas quando consome fora de casa.
Mesmo com a desaceleração da inflação, a sensibilidade aos preços permanece elevada desde o pico inflacionário registrado em 2022, influenciando as decisões de compra em supermercados, bares e restaurantes.
Valor percebido ganha protagonismo
Para a Deloitte, marcas que conseguem comunicar melhor sua proposta de valor tendem a apresentar desempenho superior, independentemente do posicionamento em categorias premium ou de entrada.
O estudo também revela que 75% dos executivos do setor acreditam que a demanda por opções com melhor custo-benefício permanecerá como uma tendência estrutural nos próximos anos.
Esse movimento já influencia estratégias de grandes fabricantes. Empresas como a Molson Coors vêm ampliando investimentos em linhas de produtos com preços mais acessíveis para atender ao novo perfil de consumo.
Sabor segue como principal critério de escolha
Embora o preço tenha ganhado relevância, o sabor continua sendo o principal fator considerado pelos consumidores na hora da compra.
Na sequência aparecem atributos como disponibilidade do produto, variedade de sabores e conveniência. Entre consumidores mais jovens, sabores diferenciados em cervejas, vinhos e bebidas prontas para consumo (RTDs) têm maior peso na decisão.
Saúde influencia, mas não lidera a mudança
O levantamento mostra que apenas um em cada quatro consumidores aponta a preocupação com a saúde como principal motivo para reduzir o consumo de álcool.
Ainda assim, tendências relacionadas ao bem-estar seguem crescendo. Entre consumidores de 21 a 29 anos, cerca de um terço afirma valorizar bebidas com baixo teor alcoólico ou sem álcool ao escolher uma marca.
Estratégias para o setor
Segundo a Deloitte, as empresas podem fortalecer sua competitividade ao revisar promoções, oferecer diferentes formatos de embalagem, adaptar o portfólio às necessidades dos consumidores e minimizar impactos na cadeia de suprimentos que possam resultar em novos aumentos de preços.
Para a consultoria, o desafio não está apenas em reduzir preços, mas em comunicar de forma clara por que determinado produto entrega valor suficiente para justificar o investimento do consumidor.







