Levantamento revela avanço no número de microempreendedores do comércio de bebidas entre 2021 e 2026. Delivery, conveniência e presença digital impulsionam a expansão dos negócios.
O mercado de adegas de bairro registra forte crescimento na Baixada Santista, no litoral de São Paulo. Segundo levantamento do Sebrae-SP, realizado com base em dados do Portal do Empreendedor, o número de Microempreendedores Individuais (MEIs) que atuam no comércio varejista de bebidas passou de 3.711 em 2021 para 10.883 em 2026, um aumento de 193,2% no período.
O avanço reflete a expansão de pequenos estabelecimentos que apostam na conveniência, na variedade de produtos e na proximidade com os consumidores. O movimento, que ganhou força durante a pandemia de Covid-19 com o crescimento do delivery, continua impulsionando novos modelos de negócio na região.
O levantamento considera empresas enquadradas no CNAE 4723-7/00, correspondente ao comércio varejista de bebidas, incluindo operações físicas e digitais que comercializam produtos sem oferecer consumo no local.
Delivery e conveniência impulsionam o comércio de bebidas
As adegas de bairro vêm ampliando sua atuação ao combinar lojas físicas, atendimento por canais digitais e serviços de entrega.
Além da comercialização de cervejas, vinhos, destilados e bebidas não alcoólicas, muitos estabelecimentos diversificam a oferta com produtos complementares, como gelo, carvão, alimentos, petiscos e itens para confraternizações.
Essa estratégia permite atender diferentes ocasiões de consumo e ampliar as oportunidades de venda, especialmente entre consumidores que buscam praticidade e agilidade.
A proximidade com o público também se tornou um diferencial competitivo. Ao conhecer os hábitos e as preferências dos moradores, os pequenos negócios conseguem adaptar o mix de produtos e oferecer um atendimento mais personalizado.
Gestão e diferenciação são desafios para os empreendedores
Apesar do crescimento expressivo, a expansão do número de estabelecimentos também aumenta a concorrência e exige atenção à sustentabilidade financeira das operações.
Segundo Paulo Sérgio Brito Franzosi, gerente regional do Sebrae na Baixada Santista, o planejamento é fundamental para transformar o potencial do mercado em resultados consistentes.
“A expansão do mercado de adegas mostra que existe espaço para o pequeno empreendedor, mas abrir uma empresa é apenas o primeiro passo. É fundamental conhecer o perfil do consumidor, entender quais produtos têm maior procura, trabalhar bem o estoque, calcular corretamente os preços e acompanhar de perto o fluxo de caixa”, afirma.
O especialista também destaca que a diferenciação ganha relevância em um ambiente cada vez mais competitivo.
Para os empreendedores, fatores como localização, perfil de renda da população, hábitos de consumo, horários de funcionamento e disponibilidade de entregas podem influenciar diretamente o desempenho do negócio.
A gestão de estoques também merece atenção, considerando a necessidade de equilibrar variedade de produtos, demanda e capital de giro.
Presença digital fortalece relacionamento com consumidores
Outro fator que contribui para a expansão das adegas é o uso de ferramentas digitais para divulgação, relacionamento e vendas.
Redes sociais e aplicativos de mensagens permitem que os estabelecimentos apresentem novidades, comuniquem promoções e facilitem o recebimento de pedidos.
A integração entre atendimento presencial e canais digitais também amplia os pontos de contato com os consumidores, fortalecendo a conveniência como parte da experiência de compra.
“Para os pequenos negócios, a presença digital também pode ser uma aliada. Redes sociais e aplicativos de mensagens permitem divulgar promoções, apresentar novidades, manter relacionamento com clientes e facilitar pedidos. A estratégia, no entanto, precisa estar alinhada ao perfil do público e à capacidade operacional da empresa”, explica Franzosi.
Crescimento das adegas reforça oportunidades no varejo de bebidas
O avanço de 193,2% no número de MEIs do comércio varejista de bebidas evidencia a expansão desse modelo de negócio na Baixada Santista.
O levantamento abrange nove municípios: Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente.
Para o mercado de alimentos e bebidas, o crescimento desses estabelecimentos sinaliza oportunidades relacionadas à distribuição, à diversificação do portfólio e ao atendimento de consumidores que valorizam praticidade.
Ao mesmo tempo, a maior concorrência reforça a importância de estratégias de gestão, posicionamento e relacionamento para a sustentabilidade dos pequenos negócios.
Fonte: BS9, com dados do Sebrae-SP.







