Um novo estudo reacende a discussão sobre o uso de corantes artificiais em alimentos e bebidas industrializados, especialmente aqueles voltados ao público infantil. De acordo com a pesquisa, quase 20% dos produtos vendidos nos Estados Unidos contêm corantes sintéticos associados a problemas comportamentais em crianças, como hiperatividade e dificuldade de atenção.
Publicado no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, o levantamento analisou quase 40 mil itens disponíveis em supermercados americanos. O objetivo foi entender a presença desses aditivos em alimentos produzidos pelas 25 maiores fabricantes do país, com foco em categorias amplamente consumidas por crianças, como confeitos, bebidas adoçadas, cereais matinais, refeições prontas e produtos de panificação.
Os dados mostram que produtos direcionados ao público infantil têm uma probabilidade significativamente maior de conter corantes artificiais: eles aparecem em 28% desses itens, contra 11% nas demais categorias. Outro ponto de atenção é a relação direta com o açúcar. Alimentos com corantes apresentaram, em média, 141% mais açúcar do que aqueles sem esses aditivos.
Para os pesquisadores, os corantes são usados principalmente para aumentar o apelo visual dos produtos, mas há um acúmulo crescente de evidências científicas que questiona os impactos dessa estratégia sobre a saúde das crianças. Além do comportamento, o consumo frequente desses alimentos está associado a dietas mais desequilibradas e com alto teor de açúcar.
O estudo também identificou marcas com alta incidência de corantes artificiais em seus portfólios. No setor de confeitaria, empresas como Ferrero e Mars lideram os percentuais. Já no segmento de bebidas, energéticos e isotônicos apresentaram índices elevados, independentemente da marca.
No campo regulatório, o tema ganha tração. A FDA solicitou recentemente que a indústria reduza voluntariamente o uso de corantes sintéticos, enquanto diversos estados americanos discutem projetos de lei para restringir esses aditivos. Especialistas avaliam que medidas mais claras, como rótulos de advertência — já adotados na União Europeia — poderiam acelerar mudanças na formulação dos produtos.
.
Fonte: Infomoney







