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Dados Foodservice em 2025: resiliência em meio aos desafios

IA

O primeiro trimestre de 2025 trouxe um cenário desafiador para o setor de foodservice no Brasil, exigindo adaptação diante de pressões econômicas internas e externas. Ainda assim, o setor demonstrou resiliência e deu sinais de crescimento, mesmo que modesto, impulsionado principalmente pelo aumento do ticket médio.

Gasto cresce apesar da queda no tráfego

O gasto total com alimentação fora do lar atingiu R$ 50,3 bilhões no 1T25 — um crescimento de 1% em relação ao mesmo período de 2024. Esse foi o maior patamar registrado para um primeiro trimestre desde 2020. No entanto, esse avanço foi sustentado exclusivamente pelo aumento de 4% no ticket médio, que chegou a R$ 20,66. O número de visitas, por sua vez, caiu 3%, refletindo um consumo mais racional por parte do público.

gráfico Mosaiclab

Consumo reprimido e desafios econômicos

Conforme destacado no gráfico, o potencial de consumo segue reprimido, em grande parte, pela retração no tráfego. Isso ocorre num contexto de inflação persistente (especialmente nos alimentos para consumo dentro do lar), elevação da taxa Selic e incertezas fiscais que afetam decisões de investimento e consumo. O relatório também aponta impactos do cenário internacional, como o aumento de tarifas norte-americanas e a crescente presença de produtos chineses no mercado brasileiro.

Onde o tráfego mais caiu?

A retração no tráfego foi mais intensa em canais como supermercados, padarias e serviços de alimentação com baixo valor médio por pedido (Low Check Full Service). No detalhamento por canal:

  • Off Premise: crescimento tímido para “Para Viagem” (+3%) e Drive Thru (+9%), enquanto Delivery ficou estável e o On Premise caiu (-8%);
  • Dayparts: manhãs e lanches da tarde mantiveram estabilidade; as refeições noturnas cresceram (+4%), mas o almoço, tradicional motor do setor, registrou queda significativa de 14%;
  • Dias úteis: retração de 6%, enquanto finais de semana cresceram 6%.

Públicos em transformação

Entre os públicos analisados, os jovens de até 24 anos e adultos da classe A foram os únicos a apresentar crescimento de tráfego (+11%). Já as visitas individuais caíram 11%, e houve retração entre famílias, classes B e C, e adultos entre 25 e 34 anos. Grupos e casais permaneceram estáveis.

Um setor resiliente, mas ainda travado

Apesar dos sinais positivos, como o aumento do ticket médio e o gasto total em alta, o foodservice segue limitado por obstáculos estruturais, como inadimplência, endividamento das famílias e gargalos na cadeia de valor. O cenário mostra que, embora a demanda exista, ela segue contida — e destravar esse potencial exige não apenas melhorias macroeconômicas, mas também estratégias inteligentes do setor para se manter relevante e acessível.


Fonte: Mosaiclab

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