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Chocolate acumula alta de 24,77% em 12 meses e pressiona preços antes da Páscoa

O consumidor brasileiro já sente no bolso a escalada dos preços do chocolate. Segundo o IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo IBGE, o chocolate em barra e o bombom acumularam alta de 24,77% nos 12 meses encerrados em janeiro. No mesmo período, a inflação geral do país foi de 4,44%.

O movimento ocorre às vésperas da Páscoa de 2026, celebrada em 5 de abril, e reflete principalmente os efeitos defasados da disparada nas cotações internacionais do cacau. Apesar de uma moderação ao longo do segundo semestre de 2025, a commodity ainda opera em patamares elevados.

Entre os 377 subitens que compõem a cesta do IPCA, apenas cinco registraram inflação superior à do chocolate no acumulado em 12 meses até janeiro: transporte por aplicativo (37,36%), café solúvel (27,46%), energia elétrica residencial (27,34%), serviços de fisioterapia (25,57%) e joias (25,09%).

Para Fábio Romão, sócio da Logos Economia, o encarecimento tem forte relação com o histórico recente do cacau. A quebra da safra 2023/2024 em Gana e Costa do Marfim — os dois maiores produtores globais — levou a cotação da tonelada de cerca de US$ 2.500 em 2022 para US$ 12 mil no auge da crise, segundo a Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas). Mais recentemente, o preço passou a oscilar entre US$ 5 mil e US$ 5,5 mil, ainda considerado elevado pelo setor.

Além do custo da matéria-prima, o cenário de baixo desemprego (5,6%), renda em crescimento e maior formalização sustenta a demanda e abre espaço para recomposição parcial das margens da indústria, com repasses ao varejo.

A própria Abicab afirma que o setor acompanha diariamente as oscilações do mercado e conta com estoques reguladores para mitigar impactos. As empresas têm adotado estratégias específicas em canais de venda, distribuição, preços e promoções para manter competitividade.

Embora a inflação acumulada tenha desacelerado em relação aos 27,12% registrados até dezembro de 2025, os preços do chocolate em barra e do bombom sobem de forma consecutiva há nove meses. Em janeiro, o avanço foi de 1,28%, o menor desse ciclo.

Para Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global, o mercado de cacau ainda não se normalizou completamente. O cenário levou a indústria a buscar alternativas, como produtos “sabor chocolate”, com menor teor de cacau, estratégia adotada para compensar o avanço expressivo dos custos.

Mesmo com a recente queda das cotações internacionais, a eventual redução de preços ao consumidor tende a ser lenta. A cadeia do chocolate é globalizada e envolve múltiplas etapas, do processamento à distribuição, o que retarda a transmissão de alívios de custo.

Regionalmente, a alta acumulada em 12 meses até janeiro foi registrada em todas as 16 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas pelo IPCA, variando de 17,22% em Aracaju a 31,85% na Grande Porto Alegre.

Para o foodservice, o cenário reforça a necessidade de atenção à gestão de custos, reformulação de portfólio e estratégia de precificação, especialmente em um calendário comercial estratégico como a Páscoa.

Conteúdo publicado pela Folha de S.P e adaptado para o Portal Foodbiz

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