O consumo de bebidas alcoólicas no Brasil continua mostrando força, mesmo em meio às oscilações econômicas e mudanças no comportamento do consumidor. De acordo com o relatório “Alcoholic Drinks in Brazil”, da Euromonitor International, o setor registrou crescimento em 2024 — puxado principalmente pela cerveja, que segue soberana com mais de 90% de participação no mercado nacional.
Um dos grandes destaques do estudo é a combinação de dois movimentos que ganham tração no país: a premiumização e a expansão das versões sem álcool ou de baixo teor alcoólico.
Guilherme Machado, gerente de pesquisas da Euromonitor International, resume essa virada:
“A cerveja continua protagonista nas ocasiões sociais brasileiras, impulsionada pela expansão de marcas premium e pela crescente demanda por opções não alcoólicas. O consumidor está mais atento à qualidade, saúde e ao valor agregado, abrindo espaço para inovação e crescimento sustentável.”
Premiumização e foco em saúde transformam o consumo
O segmento premium cresceu 3% em volume e 10% em valor em 2024, alcançando mais de R$ 110 bilhões em vendas. A busca por produtos de maior qualidade se mantém, mesmo com uma redução ocasional na frequência de consumo — um comportamento ligado à seletividade e ao desejo por experiências melhores.
A pesquisa Voice of the Consumer: Health and Nutrition Survey (fev/2025) reforça essa tendência:
- 56% dos brasileiros que consomem bebida alcoólica dizem tentar reduzir ou parar de beber.
- 26% apontam a necessidade de economizar como uma das razões para isso.
Em paralelo, as cervejas sem álcool e low-alcohol mostram o crescimento mais acelerado do setor: +18% em volume em 2024 e expectativa de CAGR de 9% entre 2024 e 2029.
Sazonalidade continua essencial — mesmo com mudanças no consumo fora de casa
Apesar da leve retração no consumo on-premise (bares e restaurantes), datas sazonais seguem sendo fundamentais para o setor. Verão, festas de fim de ano e Carnaval funcionam como “turbo” para as vendas — e o uso de dados e IA tem ajudado marcas a criar ofertas personalizadas, alinhadas ao clima, à região e ao momento do consumidor.
Nas palavras de Machado:
“O verão brasileiro é um catalisador natural para o consumo. Usar dados para entender comportamentos e criar ofertas sazonais é fundamental para capturar essas oportunidades.”
Inovação, custo e regulação: o que vem pela frente
O mercado ainda enfrenta desafios importantes — da inflação aos custos de produção, passando por possíveis mudanças tributárias, como o futuro “imposto do pecado”, previsto para 2026/27. Nesse contexto, bebidas de menor teor alcoólico ganham espaço, enquanto o segmento premium se consolida como uma alternativa de valor.
Para o ecossistema de foodservice, acompanhar essas transformações é essencial para ajustar portfólio, comunicar tendências e antecipar demandas dos consumidores.
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Fonte: O Dia







