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Cerveja pesa mais no bolso em casa do que no bar em 2025, aponta IBGE

Beber cerveja fora de casa ficou relativamente menos caro do que comprar a bebida para consumir no lar em 2025. É o que mostram os dados mais recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo IBGE.

Enquanto a inflação da cerveja para consumo doméstico acumulou alta de 5,97% no ano — acima da inflação oficial de 4,26% —, os preços cobrados em bares, restaurantes e outros estabelecimentos cresceram 3,13%, abaixo da média geral.

Na prática, isso significa que o consumidor sentiu mais o impacto no supermercado do que na mesa do bar.

Dezembro manteve a pressão nos preços

Somente em dezembro, a cerveja teve aumento de 0,73% no consumo dentro de casa e de 0,60% fora do domicílio. No mesmo mês, o IPCA geral ficou em 0,33%, reforçando que a bebida segue pressionando o orçamento do consumidor.

De acordo com o IBGE, dezembro marcou o oitavo mês consecutivo em que a inflação da cerveja ficou acima do índice geral.

Segundo José Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa no Instituto, reajustes feitos pelos fabricantes em agosto ajudaram a impulsionar os preços no segundo semestre. Além disso, fatores sazonais pesam no período:

“Historicamente, de outubro a janeiro há maior variação nos preços da cerveja, influenciada por temperaturas mais altas e pelas férias”, explica.

Capitais: onde a cerveja mais encareceu

A alta dos preços não foi uniforme entre as capitais. No consumo doméstico, a Grande Vitória (ES) liderou o ranking, com inflação acumulada de 9,27% em 2025. Na sequência aparecem Campo Grande (8,58%) e Curitiba (7,55%).

No outro extremo, Belo Horizonte registrou a menor variação do ano, com alta de 2,4%, seguida por Salvador (3,45%) e Brasília (4,73%).

Em dezembro, a maior alta mensal foi observada em Belém, com avanço de 2,98%, enquanto Recife apresentou leve recuo de -0,02%.

Produção de bebidas alcoólicas segue em queda

Além dos preços, os dados de produção também chamam atenção. A Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) do IBGE mostra que a fabricação de bebidas alcoólicas — majoritariamente cerveja — caiu 6,5% em novembro de 2025 na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

No acumulado de janeiro a novembro, a retração foi de 4,7%, desempenho pior do que o da indústria geral, que recuou 1,2% no período. Em relação a outubro, a produção de bebidas caiu 2,1%, enquanto a indústria total ficou estável.

O que esses dados indicam para o foodservice

O comportamento dos preços reforça um movimento relevante para o setor: mesmo com inflação, o consumo fora do lar segue relativamente mais competitivo do que o doméstico em algumas categorias, como a cerveja. Para bares e restaurantes, isso pode representar uma oportunidade de atração de público, especialmente em períodos de maior consumo.

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