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El Niño e safra menor reforçam alerta para preços dos alimentos em 2026

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Depois de um 2025 marcado por forte pressão inflacionária nos alimentos e pela adoção de medidas emergenciais pelo governo, o cenário para 2026 volta a exigir cautela. A combinação entre eventos climáticos adversos e a expectativa de redução da safra agrícola reacende o alerta sobre novos aumentos de preços ao longo do ano.

Modelos climáticos mais recentes indicam a transição de um quadro de La Niña fraca para a formação de um novo El Niño a partir do segundo semestre. Segundo o Climatempo, o aquecimento do Pacífico Equatorial deve começar ainda no primeiro semestre, com sinais já a partir de março, e a consolidação do fenômeno é esperada entre o fim do outono e o início do inverno.

Os impactos tendem a variar conforme a região. Enquanto o Sul pode enfrentar chuvas mais intensas e frequentes, Norte e Nordeste devem registrar redução das precipitações e períodos de seca, afetando diretamente a produção agrícola. Dados da NOAA apontam maior probabilidade de um El Niño de intensidade moderada a forte entre agosto e outubro, com pico entre novembro e janeiro.

Para Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence, os efeitos do fenômeno sobre a inflação de alimentos devem se intensificar a partir do meio do ano. A estimativa é de um impacto de até 0,8 ponto percentual na inflação de 2026. Embora os alimentos no domicílio tenham subido apenas 1,4% em 2025, o nível de preços segue elevado desde a pandemia, o que amplia a percepção de qualquer novo aumento.

A prévia da inflação de janeiro, medida pelo IPCA-15, já mostrou aceleração após sete meses de desaceleração. O grupo alimentação e bebidas avançou 0,31%, puxado principalmente por itens consumidos no domicílio. Para André Braz, do FGV Ibre, o movimento ainda reflete fatores sazonais, mas o cenário pode mudar com o avanço do El Niño ao longo do ano.

Além do clima, a oferta também preocupa. Estimativas do IBGE indicam que a safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve recuar cerca de 3% em relação ao recorde projetado para 2025. A base de comparação elevada e condições climáticas menos favoráveis explicam a retração.

Eventos extremos mais frequentes já representam um desafio estrutural para o agronegócio brasileiro, com efeitos sobre preços, crescimento econômico e até o mercado internacional, dado o peso do Brasil como grande produtor global de alimentos. Culturas como café, soja, milho, trigo, arroz e feijão estão entre as mais sensíveis, assim como as carnes, impactadas pela disponibilidade de pastagens.

Pacífico – grafico alta alimentos

Entre 2024 e o início de 2025, o governo federal lançou um pacote de medidas para conter a alta dos alimentos, incluindo a redução de tarifas de importação, reforço de estoques reguladores e estímulos à produção. Especialistas, no entanto, avaliam que os efeitos são limitados sem avanços estruturais em logística, tecnologia agrícola e apoio ao produtor.

Para 2026, a expectativa do FGV Ibre é de inflação geral em desaceleração, em torno de 3,8%, mas com alimentos ainda pressionados, podendo subir entre 4% e 4,5%. Um cenário que exige atenção especial do setor de foodservice, tanto pelos custos quanto pelo impacto direto no consumo das famílias.

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Conteúdo do Correio Braziliense adaptado para o Portal Foodbiz.

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