As exportações brasileiras de café registraram leve recuperação em maio de 2026, com embarques de 3,089 milhões de sacas de 60 kg, alta de 3,6% em comparação ao mesmo mês do ano passado. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Apesar do avanço no volume exportado, a receita cambial recuou 16% no período, totalizando US$ 1,05 bilhão. Segundo o Cecafé, o desempenho reflete a entrada dos primeiros lotes da safra 2026, especialmente de cafés canéforas (conilon e robusta), enquanto os embarques de arábica devem ganhar força ao longo do segundo semestre.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o Brasil exportou 14,7 milhões de sacas, queda de 12,4% em relação ao mesmo período de 2025. A receita obtida com as exportações somou US$ 5,55 bilhões, recuo de 14,6%.
De acordo com Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, o resultado está alinhado às expectativas do setor diante da transição entre a entressafra e a chegada da nova colheita. A perspectiva para os próximos meses é positiva, impulsionada por uma safra com boa produtividade e qualidade.
“A entrada dos cafés colhidos neste ano começa a refletir nos números das exportações. Com a evolução da colheita dos arábicas, a tendência é observarmos um aumento dos embarques ao longo do segundo semestre”, avalia.
Desafios para o setor
Embora o cenário de produção seja favorável, o setor acompanha fatores que podem limitar o crescimento das exportações. Entre eles estão as tensões geopolíticas no Oriente Médio, que pressionam os custos logísticos globais, os gargalos de infraestrutura portuária no Brasil e as incertezas relacionadas à política comercial dos Estados Unidos.
Segundo o Cecafé, esses fatores têm contribuído para o aumento dos custos de transporte, atrasos nos embarques e maior cautela por parte de importadores internacionais.
Alemanha e Estados Unidos lideram destinos
A Alemanha permaneceu como principal destino do café brasileiro entre janeiro e maio de 2026, com a compra de 1,91 milhão de sacas, equivalente a 13% das exportações do período. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com 1,77 milhão de sacas.
Completam o ranking dos principais compradores Itália, Bélgica e Japão.
Canéfora avança e ganha espaço
O café arábica segue como o principal produto exportado pelo Brasil, respondendo por 75,5% dos embarques no acumulado do ano. No entanto, o destaque ficou com os cafés canéforas (conilon e robusta), cujas exportações cresceram 86,5% em relação aos cinco primeiros meses de 2025.
O avanço reforça a crescente relevância dessa categoria para a indústria global de café, especialmente em segmentos como café solúvel e blends utilizados por grandes fabricantes.
Para a cadeia de foodservice, a evolução da safra brasileira e dos fluxos de exportação segue como um indicador importante para acompanhar tendências de oferta, preços e disponibilidade de café nos próximos meses.
Fonte: Cecafé e Notícias Agrícolas.







