Os preços mundiais dos alimentos voltaram a subir em abril e atingiram o maior nível desde fevereiro de 2023, segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
O índice global de preços da entidade avançou pelo terceiro mês consecutivo e alcançou 130,7 pontos, impulsionado principalmente pela alta dos óleos vegetais.
De acordo com a FAO, o cenário reflete os impactos da guerra no Irã, as tensões envolvendo o Estreito de Ormuz e o aumento dos custos de energia, fatores que vêm pressionando commodities ligadas à produção de biocombustíveis.
Os preços dos óleos vegetais subiram 5,9% em abril, atingindo o maior patamar desde julho de 2022. A alta envolveu produtos como óleo de soja, palma, girassol e colza.
Segundo o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, os custos elevados de energia aumentam a demanda por matérias-primas utilizadas em biocombustíveis, pressionando ainda mais o mercado global.
Já os cereais apresentaram alta mais moderada, de 0,8% no mês. A FAO aponta que estoques acumulados e oferta das últimas safras ajudaram a reduzir impactos mais fortes no segmento.
Mesmo assim, o órgão alerta para preocupações relacionadas ao clima, aumento do custo de fertilizantes e possível redução no plantio de trigo em 2026, já que produtores vêm migrando para culturas menos dependentes de insumos.
No mercado de proteínas, os preços da carne subiram 1,2% em abril e atingiram recorde histórico, influenciados pela menor disponibilidade de animais prontos para abate no Brasil.
Em contrapartida, o açúcar registrou queda de 4,7%, apoiado por expectativas de maior oferta em países como Brasil, China e Tailândia.
Apesar das pressões geopolíticas e dos custos globais, a FAO elevou levemente sua projeção para a produção mundial de cereais em 2025, estimando volume recorde de 3,04 bilhões de toneladas.







