O possível desdobramento de um conflito no Oriente Médio já começa a acender alertas fora da região — e o foodservice está no radar. O governo do Reino Unido avalia o risco de escassez de dióxido de carbono (CO₂), um insumo-chave para a cadeia agroalimentar, caso o Estreito de Ormuz permaneça bloqueado.
A preocupação ganhou força após idas e vindas na liberação da rota marítima pelo Irã. Mesmo após um anúncio inicial de reabertura, o país voltou a restringir a passagem de navios, reacendendo incertezas sobre o fluxo de gás natural — base para a produção de fertilizantes e, indiretamente, do CO₂.
Por que isso importa para alimentos e bebidas
O CO₂ vai muito além das bebidas gaseificadas. Ele é essencial em diferentes etapas da cadeia:
- no abate de aves e suínos
- na conservação de alimentos embalados
- na produção de bebidas, como cerveja e refrigerantes
Com a possível redução de até 18% na oferta do gás, o impacto pode ser direto na indústria agroalimentar. Ao mesmo tempo, os preços dos fertilizantes já subiram mais de 50%, pressionando ainda mais o custo de produção no campo.
Menos variedade, mais pressão
Segundo análises do governo britânico, não há previsão de desabastecimento generalizado nos supermercados — mas a variedade de produtos pode diminuir. Esse tipo de efeito costuma ser um dos primeiros sinais percebidos pelo consumidor.
Na prática, isso significa cardápios mais enxutos, ajustes de portfólio e pressão sobre margens, especialmente em segmentos mais dependentes de logística e conservação.
Prioridade para setores críticos
Diante do cenário, o governo do Reino Unido já estuda priorizar o uso de CO₂ em áreas consideradas essenciais, como:
- saúde (armazenamento de sangue, órgãos e vacinas)
- energia nuclear civil
A medida indica o grau de importância do insumo — e como o foodservice pode acabar ficando em segundo plano em momentos de crise.
Além disso, autoridades avaliam incentivar produtores a aumentar a geração de CO₂ para reduzir impactos mais severos na economia.







